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Florestas boreais primárias na Suécia armazenam até 83% mais carbono que florestas de produção

Florestas boreais primárias na Suécia armazenam até 83% mais carbono que florestas de produção iStock

Um estudo liderado por investigadores da Lund University e da Stanford University concluiu que as florestas boreais primárias na Suécia, que poucas intervenções humanas sofreram, retêm entre 72% e 83% mais carbono por hectare do que as florestas de produção.

De acordo com a análise, a maior parte do carbono adicional encontra-se no solo, reforçando o valor climático das florestas antigas e intactas.

A investigação, publicada na revista Science, combinou medições de carbono em mais de 200 locais florestais com décadas de inventários nacionais de solo e árvores, além de modelação estatística, resultando na primeira estimativa integrada de carbono em vegetação viva, madeira morta, solo e produtos derivados de madeira.

Segundo os autores, restaurar as florestas geridas ativamente ao nível de carbono das florestas primárias poderia evitar a emissão de quase 8 mil milhões de toneladas de CO₂, valor equivalente às emissões fósseis totais da Suécia nos últimos 200 anos.

Os investigadores destacam que o solo detém cerca de 64% do carbono total de uma floresta boreal primária, com as árvores vivas a responder por 30% e a madeira morta por 6%. O estudo sublinha que a capacidade de recuperação do carbono perdido devido à exploração industrial é lenta e limitada.

“Perdemos uma grande quantidade de carbono do solo com a gestão industrial, e isso é persistente e surpreendente”, afirma Rob Jackson, professor de Earth System Science na Stanford Doerr School of Sustainability.

A investigação também alerta para o impacto global: “Perdas semelhantes podem estar a ocorrer noutras regiões boreais, mas são mais difíceis de detetar do que a desflorestação tropical”, explica Anders Ahlström, coautor do estudo.

O estudo realça ainda que os modelos climáticos que assumem maior utilização das florestas boreais para bioenergia podem sobrestimar o valor climático desses ecossistemas, ao subvalorizar o papel das florestas primárias intactas e da conservação florestal.

Os investigadores estão a aprofundar agora os fatores que permitem às florestas primárias armazenar mais carbono, incluindo a diversidade microbiana no solo e nas raízes das árvores, com o objetivo de encontrar formas de acelerar a transição de solos de florestas de produção para estados mais ricos em carbono, sem esperar séculos pelo desenvolvimento natural das florestas antigas.

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