Desplastificação

Projeto Smart para combater poluição dos oceanos vence primeira edição do AI Moonshot Challenge

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O projeto Smart, que conjuga dados de satélite e inteligência artificial para combater poluição nos oceanos, foi o grande vencedor da primeira edição do concurso AI Moonshot Challenge. A equipa liderada pelo Centro de Recursos Naturais e Ambiente vai receber 500 mil euros para desenvolver o projeto.

Lançado durante a edição de 2019 da Web Summit, o AI Moonshot Challenge é um concurso com uma vertente internacional que procura soluções que combinem tecnologias de computação, Inteligência Artificial e diversificadas fontes de dados de satélite, para resolver problemas complexos no âmbito das alterações climáticas, em particular, e na sua primeira edição focado na deteção, localização e monitorização de resíduos nos oceanos.

Das dez candidaturas apresentadas, o júri selecionou a proposta apresentada pelo Centro de Recursos Naturais e Ambiente (CERENA-IST) e que conta ainda com a presença do Laboratório de Sistemas e Tecnologia Subaquática (FEUP), do Laboratório Associado Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), do Instituto Hidrográfico e do MIT-Portugal.

“Recorrendo a dados de satélite do programa Copernicus, a equipa pretende determinar quais as frequências apropriadas para a deteção de plástico em massas de água. Esta informação será complementada com modelos avançados que simulam o comportamento do oceano para aumentar a probabilidade de deteção de plásticos, uma missão dificultada pela dimensão dos detritos e pela resolução das imagens de satélite atualmente disponíveis”, lê-se em comunicado.

O júri – co-presidido pela bióloga Carolina Sá, gestora de projetos na Agência Espacial Portuguesa, e por Paolo Corradi, engenheiro de sistemas na Eusopean Space Agency (ESA) – valorizou o facto de a rede de parceiros do consórcio prever o uso de veículos autónomos marítimos para validar os resultados e recolher ainda mais dados.

Das candidaturas apresentadas, o júri selecionou ainda as propostas do consórcio Implast e o projeto Atlas para o pitch final, durante a Web Summit. “Foi uma seleção difícil dado que todos avaliadores reconheceram a elevada qualidade das propostas que recebemos”, afirmou Carolina Sá.

De acordo com a gestora de projetos da Portugal Space, o projeto Smart é o que dá melhor resposta a alguns dos parâmetros exigidos na avaliação das propostas. “O fator inovação na utilização de dados de satélite e de Inteligência Artificial e a componente científica eram dos critérios mais preponderantes na avaliação das candidaturas e esperamos que a proposta vencedora possa ter um contributo relevante na resolução deste problema”.

Em comunicado, a Portugal Space explica que “a deteção de plásticos através de dados de satélite é uma tarefa extremamente complexa, dada a distância a que os sensores se encontram dos objetos, mas também pela resolução espacial dos dados que estão atualmente disponíveis de forma gratuita”.

“O Programa Copernicus, por exemplo, permite uma resolução espacial de 10mx10m enquanto uma garrafa de plástico, por exemplo, é consideravelmente mais pequena. Todos estes fatores contribuem para que a informação dos dados de satélite esteja repleta de ruído, além de ser fácil detetar falsos positivos (algas, detritos orgânicos, espuma ou mesmo as cristas das ondas), pelo que o uso de Inteligência Artificial se torna particularmente relevante”.

De acordo com Paulo Dimas, vice-presidente de inovação de produto da Unbabel, “a Inteligência Artificial tem o potencial de ser capaz de conjugar todos estes dados e encontrar padrões e fazer deteções onde nós geralmente não seríamos capazes”.

O responsável admite que “o sucesso desta edição resulta de uma parceria liderada pela Portugal Space que cruza os universos da investigação e start-ups, tendo como cenário o fantástico palco global que é o Web Summit”.

De acordo com a Portugal Space, a próxima edição do AI Moonshot Challenge acontece em 2021, com novas regras a serem divulgadas em breve.