Transição energética

Como a bioenergia avançada responde aos desafios energéticos?

Como a bioenergia avançada responde aos desafios energéticos? Direitos Reservados

A Associação de Bioenergia Avançada (ABA) identificou quatro desafios energéticos aos quais a bioenergia avançada já consegue oferecer soluções concretas, com “maturidade tecnológica” e alinhada aos objetivos nacionais e europeus de neutralidade carbónica:

1 | Dar uma nova vida aos resíduos
O comunicado de imprensa explica que a bioenergia avançada, proveniente de subprodutos agrícolas, alimentares, florestais e urbanos, transforma resíduos que, de outra forma, seriam descartados ou enviados para aterros, em recursos energéticos valiosos. Estes resíduos podem ser convertidos em alternativas aos combustíveis fósseis, aliviando a pressão sobre os sistemas de gestão de resíduos e promovendo uma economia circular, ao mesmo tempo, melhora a eficiência ambiental e económica do setor.

2 | Reduzir a dependência energética externa em um contexto geopolítico instável
Segundo sublinhou a nota de imprensa, o ano de 2025 destacou, mais uma vez, a vulnerabilidade dos países dependentes de importações energéticas, em um cenário internacional marcado por instabilidade e flutuações nos preços. A produção de bioenergia avançada a partir de recursos locais ajuda a fortalecer a autonomia energética, reduzir a exposição a cenários voláteis e, ao mesmo tempo, aumentar a resiliência económica do país.

De acordo com a ABA, ao investir num mix energético diversificado, baseado em soluções locais, Portugal tem uma oportunidade única de fortalecer a segurança energética e reduzir a dependência de recursos externos.

“É, por isso, fundamental que em 2026 se reforce o investimento em biorrefinarias de 2.ª geração, para que se crie condições mais estáveis para o desenvolvimento económico e industrial sustentável”, avançou a Associação.

3 | Uma solução para todos os territórios
A bioenergia avançada, proveniente de resíduos e subprodutos, apresenta-se como uma oportunidade para incentivar a produção descentralizada de energia, gerando valor económico, promovendo o emprego local e fixando talento qualificado em regiões de baixa densidade, referiu a ABA.

Segundo a Associação de Bioenergia Avançada, esta abordagem responde aos desafios e assimetrias territoriais, com várias unidades de produção de biometano e outros biocombustíveis a serem instaladas fora dos grandes centros urbanos, contribuindo para uma transição energética mais inclusiva e equilibrada.

4 | Estimular a inovação tecnológica
A Associação referiu também que a crescente procura por matérias-primas residuais para a produção de biocombustíveis avançados tem impulsionado a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias inovadoras. Esse progresso, impulsionado pela investigação e novas tecnologias, tem permitido processos de produção mais eficientes e soluções industriais mais sustentáveis, promovendo a evolução contínua do setor e a competitividade da economia.

“A bioenergia avançada é uma solução-chave para a descarbonização de setores de difícil eletrificação, como a mobilidade pesada, os transportes marítimos e a aviação. Ao mesmo tempo, contribui para uma transição energética segura, competitiva e alinhada com as metas climáticas. É, por isso, importante que o debate energético se centre, cada vez mais, em soluções integradas e mais sustentáveis”, afirmou Ana Calhôa, Secretária-Geral da Associação de Bioenergia Avançada.

A transição energética entrou, no ano passado, numa nova fase de maturidade, enalteceu a ABA. A implementação de políticas climáticas mais ambiciosas e a transposição da Diretiva RED III têm criado as condições para acelerar a adoção de alternativas aos combustíveis fósseis.

Nesse contexto, os biocombustíveis avançados, líquidos e gasosos, destacam-se como uma solução promissora, oferecendo benefícios ambientais e económicos, com uma redução de emissões superior a 90% em comparação aos combustíveis fósseis convencionais, segundo o último relatório da ABA.

 

 

 

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