Portugal tem o potencial de se afirmar como um dos líderes europeus na produção industrial sustentável, mas precisa converter o seu investimento em transição energética numa vantagem competitiva real no mercado internacional, concluiu um estudo recentemente divulgado pela NOVA School of Business and Economics (NOVA SBE).
De acordo com a análise, num “contexto internacional fragmentado”, marcado pelo aumento da pressão regulatória e pela crescente exigência de sustentabilidade por parte dos consumidores e retalhistas, o estudo “Oportunidade Industrial Verde em Portugal” mostrou que a adoção de sistemas de certificação ambiental em setores-chave da indústria portuguesa pode ter um impacto potencial de 0,8% no PIB nacional (o equivalente a 9.611 milhões de euros) e cerca de 1% no emprego, o que significaria a criação de mais 49 mil postos de trabalho.
Para a equipa da NOVA SBE, esta é uma “oportunidade particularmente relevante” para Portugal, tendo em conta a sua matriz energética renovável, a sua localização geográfica e a sua base industrial fortemente orientada para a exportação.
Segundo a equipa, isto é especialmente válido no caso da chamada indústria “hard to abate” (como a siderurgia ou o vidro, onde a descarbonização dos processos de produção é mais desafiante), que precisa de reconhecimento por parte do cliente final, caso contrário, a transição energética poderá ser vista apenas como um custo.
O impacto da sustentabilidade nas vendas
A equipa analisou dados de vendas de produtos sustentáveis comercializados por grandes retalhistas internacionais, como a Amazon. Através da análise de cerca de 45 mil produtos com o selo Climate Pledge Friendly (CPF), introduzido pela Amazon em 2020, constatou-se um aumento médio de 13% nas vendas brutas nas 12 semanas seguintes à atribuição do CPF.
Além disso, ao examinar os produtos vendidos pelo IKEA, verificou-se que os artigos com declarações explícitas sobre o uso de materiais reciclados apresentam uma valorização média de 33,4% em relação aos produtos sem essa informação.
A investigação confirmou que os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis, desde que a informação seja credível e verificável, o que torna a certificação independente da sustentabilidade um fator determinante.
Para João Duarte, professor associado da NOVA SBE e autor do estudo, “a competitividade futura da indústria portuguesa dependerá da sua capacidade de provar, com rigor, que produz de forma sustentável. A certificação é o elemento diferenciador que permite captar valor, ganhar novos mercados e contribuir para o crescimento do país”.

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