Transição Energética

Temperaturas globais podem bater novo recorde nos próximos cinco anos, alerta relatório

Temperaturas globais podem bater novo recorde nos próximos cinco anos, alerta relatório iStock

Um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que existe uma probabilidade de 80% de que as temperaturas globais ultrapassem pelo menos um recorde anual de calor até 2029.

Os cientistas enfatizam que este cenário pode vir a aumentar substancialmente o risco de fenómenos meteorológicos extremos como secas, inundações e incêndios florestais.

Os dados, compilados com base em modelos de 15 institutos internacionais, incluindo o Met Office do Reino Unido e o Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona, indicam ainda uma nova possibilidade: um ano com temperaturas 2 °C acima dos níveis da era pré-industrial pode ocorrer antes de 2030 e apesar da probabilidade ser ainda reduzida — cerca de 1% — os cientistas classificam essa hipótese como “chocante”.

A previsão surge após se terem registado os dez anos mais quentes de sempre e aponta para um aquecimento médio entre 2025 e 2029 superior a 1,5 °C em relação à era pré-industrial, com 70% de probabilidade. Os investigadores alertam para o facto de estas previsões poderem comprometer as metas estipuladas no âmbito do Acordo de Paris.

Segundo o relatório, existe agora uma probabilidade de 86% de que, num dos próximos cinco anos, o limite de 1,5 °C seja ultrapassado — uma subida de 40% face ao relatório de 2020. Em 2024, pela primeira vez, esse limite foi ultrapassado numa base anual, algo que antes de 2014 era considerado implausível pelos cientistas.

Além disso, o relatório prevê que os invernos no Ártico aqueçam 3,5 vezes mais rapidamente do que a média global, fazendo com exista uma redução da reflexão da radiação solar, agravando o aquecimento do planeta. A floresta amazónica enfrentará mais secas, enquanto o sul da Ásia e o norte da Europa vão registar um aumento da precipitação.

De acordo com Leon Hermanson, do Met Office, 2025 poderá ser um dos três anos mais quentes alguma vez registados. Já Chris Hewitt, diretor dos serviços climáticos da OMM, alertou para o impacto crescente das ondas de calor na saúde humana, mas sublinhou que “temos de agir pelo clima”, pois “os 1,5 °C não são inevitáveis”.

Não perca informação: Subscreva as nossas Newsletters

Subscrever