Capital Natural

Governo avança com consulta pública para criar uma das maiores áreas marinhas da UE

Governo avança com processo para criar uma das maiores áreas marinhas protegidas da UE iStock

Avançar com a criação de uma reserva natural marinha que proteja os montes submarinos do complexo Madeira-Tore e Banco de Gorringe está agora mais próximo, graças às condições técnicas e científicas reunidas, avançou o Governo.

De acordo com o comunicado de imprensa, a iniciativa visa preservar a biodiversidade marinha e promover uma gestão mais sustentável dos recursos oceânicos.

Em cumprimento de um despacho de 24 de outubro, da Ministra do Ambiente e Energia e do Ministro da Agricultura e Mar, a comunicação sublinhou que foram entregues ao Governo, dentro do prazo estipulado, os elementos que sustentam o processo de classificação, reunindo o conhecimento mais atualizado sobre esta área marinha.

Com cerca de 173.000 km², quase o dobro da área de território emerso de Portugal, esta será uma das maiores áreas marinhas protegidas da União Europeia (UE).

Esta iniciativa reforça a ambição nacional de cumprir o objetivo de proteger 30% do oceano até 2030, conforme estabelecido no Quadro Global da Biodiversidade Kunming–Montreal, no âmbito da Convenção sobre a Diversidade Biológica. Além disso, contribui para o cumprimento da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia, colocando Portugal a caminho de alcançar os 25%, enfatizou o Executivo.

A nota de imprensa esclareceu ainda que a proteção e classificação do Banco de Gorringe como Zona Especial de Conservação (ZEC) serão reforçadas com a aprovação do Plano de Gestão, que está agora em consulta pública. O plano prevê medidas para melhorar o estado ecológico da área e reduzir as pressões sobre os recursos marinhos.

A nova reserva marinha inclui alguns dos montes e bancos submarinos mais importantes do Atlântico Nordeste, como o Monte Josephine, o Monte Seine, o Banco Coral Patch e o Monte Ampère. De acordo com o comunicado, estas áreas são reconhecidas pela sua elevada produtividade e pelo papel crucial que desempenham na conservação de espécies vulneráveis, migratórias e de alto valor ecológico.

Este processo baseou-se no conhecimento mais atualizado, refletindo os resultados de várias campanhas oceanográficas nacionais e internacionais, realizadas no âmbito de projetos de investigação dedicados aos ecossistemas marinhos. Estes projetos envolveram diversas instituições públicas e privadas, universidades e centros de investigação.

O comunicado frisou também que, na área a proteger, está amplamente confirmada a presença de ecossistemas de elevado valor ecológico e grande vulnerabilidade, incluindo recifes de corais de águas frias, jardins de gorgónias, agregações de esponjas de profundidade, campos de crinóides, comunidades bentónicas ricas em endemismos e zonas de alta produtividade, que servem como áreas de alimentação, reprodução e agregação para diversas espécies.

O relatório científico correspondente foi elaborado por diversas entidades, incluindo a Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), o Instituto Hidrográfico (IH), a Estrutura de Missão para Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) e a Direção Regional do Ambiente e Mar do Governo Regional da Madeira (DRAM-GRM).

Segundo a nota de imprensa, o documento reflete um amplo consenso sobre a importância de proteger esta notável zona oceânica.

A designação de Reserva Natural Marinha presta homenagem a D. Carlos, fundador da oceanografia em Portugal, cuja investigação pioneira explorou o mar profundo. Entre 1896 e 1904, o monarca liderou doze campanhas científicas que possibilitaram a identificação de espécies, o mapeamento de fundos marinhos e o estudo das correntes oceânicas. O seu contributo continua a ser uma referência para a ciência nacional.

De acordo com a comunicação, atribuir o seu nome a esta área marinha protegida é uma forma de reconhecer o seu legado e reforçar o compromisso do País com a preservação do oceano.

 

 

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