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Oceano bate recorde de absorção de calor em 2025, concluiu estudo

Oceano bate recorde de absorção de calor em 2025 iStock

O oceano atingiu em 2025 o nível mais elevado de absorção de calor alguma vez registado, refletindo o impacto crescente do aquecimento global provocado pelas emissões de gases com efeito de estufa (GEE), segundo uma nova análise internacional publicada na revista científica Advances in Atmospheric Sciences.

Os 2.000 metros superiores dos oceanos absorveram mais 23 zettajoules de energia do que em 2024, um valor cerca de 37 vezes superior ao consumo total de energia a nível mundial em 2023. Um zettajoule corresponde a um joule, a unidade padrão de energia, seguido de 21 zeros.

Cobrindo cerca de 71% da superfície do planeta, o oceano absorve aproximadamente 30% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂), o principal gás com efeito de estufa, e retém cerca de 90% do calor gerado pelo excesso dessas emissões, afirmando-se como o maior reservatório de calor do sistema climático.

Segundo o estudo, o aumento da temperatura dos oceanos contribui para a subida do nível do mar, intensifica e prolonga as ondas de calor e agrava os fenómenos climáticos extremos, ao elevar o calor e a humidade na atmosfera, alertam os cientistas. Este aquecimento está também a acelerar a acidificação dos oceanos, com impactos significativos na vida marinha.

Em 2025, cerca de 16% da área oceânica global registou valores de calor sem precedentes, enquanto aproximadamente 33% ficou entre os três níveis mais elevados alguma vez observados.

O aquecimento foi mais acentuado nas regiões tropicais do Atlântico Sul e do Pacífico Norte, bem como no flanco norte da Corrente Circumpolar do Oceano Antárctico.

De acordo com a investigação, este excesso de calor elevou a temperatura média anual global da superfície do mar, que em 2025 ficou cerca de 0,5 graus Celsius acima da média de referência de 1981-2010.

Foi a terceira mais elevada alguma vez registada por instrumentos, ligeiramente abaixo dos valores de 2023 e 2024, sobretudo devido à transição dos padrões climáticos naturais de El Niño para La Niña no Pacífico tropical.

 

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