Biodiversidade

Exposição prolongada a pesticidas reduz significativamente a esperança de vida dos peixes

Exposição prolongada a pesticidas reduz drasticamente a esperança de vida dos peixes iStock

A exposição prolongada a baixos níveis de pesticidas pode reduzir, de forma significativa, a esperança de vida dos peixes, mesmo quando as concentrações se encontram abaixo dos limites legais de segurança. A conclusão é de um estudo internacional da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos da América (EUA), publicado na revista científica Science.

A investigação demonstrou que a exposição crónica a pesticidas agrícolas comuns acelera os processos biológicos de envelhecimento dos peixes, ao contrário da exposição pontual a doses elevadas, que tende a provocar toxicidade imediata mas não os mesmos efeitos de envelhecimento a longo prazo.

O estudo centrou-se nos efeitos de baixas doses persistentes de clorpirifos, um pesticida atualmente proibido na União Europeia (EU) e no Reino Unido, mas ainda utilizado noutros países, como os EUA e a China.

Os investigadores analisaram mais de 20 mil peixes da espécie lake skygazer recolhidos em lagos chineses, combinando observações de campo com experiências laboratoriais.

Os resultados mostraram que as populações expostas apresentavam uma predominância de indivíduos mais jovens, indicando uma redução da longevidade. Em laboratório, os peixes sujeitos a exposições crónicas de baixa dose registaram menor sobrevivência e sinais claros de envelhecimento celular, como o encurtamento dos telómeros e a acumulação de lipofuscina, um resíduo celular associado ao desgaste dos tecidos.

Segundo os investigadores, estes efeitos não foram observados em exposições de curta duração a doses elevadas, reforçando a ideia de que os riscos mais significativos estão associados à exposição contínua e silenciosa ao longo do tempo.

A análise química revelou que o clorpirifos foi o único composto consistentemente associado aos sinais de envelhecimento nos tecidos dos peixes. De acordo com os investigadores, os efeitos foram registados a concentrações inferiores aos atuais padrões de segurança para águas doces nos EUA, o que levanta dúvidas sobre a adequação dos modelos de avaliação de risco atualmente utilizados.

Os autores alertaram ainda que, devido à conservação dos mecanismos biológicos dos telómeros entre vertebrados, estes resultados podem ter implicações mais amplas, incluindo potenciais riscos para a saúde humana associados ao envelhecimento e a doenças relacionadas com a idade.

O estudo destacou também o impacto ecológico da redução da longevidade dos peixes, uma vez que os indivíduos mais velhos desempenham um papel desproporcionado na reprodução, na diversidade genética e na estabilidade das populações aquáticas.

 

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