Mobilidade

Relatório europeu aponta falhas nos esforços para promover transportes sustentáveis nas cidades

Relatório europeu aponta falhas nos esforços para promover transportes sustentáveis nas cidades iStock

Um relatório especial publicado esta quinta-feira, 5 de fevereiro, pelo Tribunal de Contas Europeu (TCE) conclui que os esforços para incentivar o uso de transportes sustentáveis em vez do automóvel são frequentemente insuficientes, especialmente nas cidades, onde se decide a mobilidade urbana.

Segundo a análise, a maior parte da população da União Europeia (UE) vive em áreas urbanas, que concentram empregos e atividade económica, mas também geram elevados níveis de trânsito e poluição. Para promover deslocações sustentáveis nas cidades, a UE recorre a leis, orientações e financiamento.

No entanto, o TCE alerta que é necessário adaptar melhor as soluções às necessidades da população e aos objetivos climáticos.

Segundo indicou o relatório, a política de transportes é principalmente responsabilidade dos países da UE. Entre 2014 e 2027, a Europa investiu cerca de 60 mil milhões de euros e tem se esforçado para promover alternativas sustentáveis ao uso de carros, como deslocações casa-trabalho.

Isso inclui melhorar os comboios regionais, expandir redes de elétricos e ciclovias, e criar plataformas multimodais para facilitar conexões entre diferentes tipos de transporte. Os planos de mobilidade urbana sustentável (PMUS), obrigatórios em 431 cidades desde 2024, são a principal estratégia da UE. No entanto, o TCE identificou várias falhas nos planos analisados, que comprometem a sua eficácia.

“Muitas pessoas usam o carro em zonas urbanas todos os dias, muitas vezes porque não têm alternativas melhores para se deslocarem”, considerou Carlo Alberto Manfredi Selvaggi, Membro do TCE responsável pela auditoria. E continua: “a UE reforçou a política de mobilidade sustentável, mas os esforços ao nível local são essenciais para continuar a melhorar. Só assim podemos ter esperança em menos engarrafamentos, melhor qualidade do ar e melhor qualidade de vida em geral”.

O TCE apontou que, apesar de as leis terem sido reforçadas, os PMUS não são obrigados a seguir as orientações europeias. Por exemplo, as orientações sugerem que o planeamento da mobilidade seja integrado ao ordenamento do território, organizando espaços como casas, trabalho, estradas e zonas verdes, para que a mobilidade e o desenvolvimento urbano funcionem juntos. Além disso, muitos planos não informavam se havia recursos financeiros disponíveis para os investimentos necessários.

A análise dos planos de mobilidade de seis cidades (Budapeste, Katowice, Praga, Sevilha, Lille e Lisboa) revelou que a maioria foca a cobertura geográfica nas fronteiras municipais, e não nos trajetos das deslocações casa-trabalho. Isso acaba por excluir uma parte significativa desses trajetos, alertou o TCE.

 

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