Descarbonização

Associações ambientalistas levam primeiro caso de litigância climática em Portugal ao Supremo Tribunal de Justiça

Associações ambientalistas levam primeiro caso de litigância climática em Portugal ao Supremo Tribunal de Justiça iStock

A Último Recurso, Quercus e Sciaena, associações de defesa do clima, anunciaram que vão levar o primeiro caso de litigância climática em Portugal ao Supremo Tribunal de Justiça.

Com esta ação judicial, as associações querem garantir “que o Estado português cumpre os compromissos adotados na Lei de Bases do Clima”, refere o comunicado de imprensa conjunto.

Já em novembro do ano passado, as três organizações processaram o Estado português por incumprimento da Lei. Após mais de quatro meses sem resposta, foi apresentada, na semana passada, uma queixa no Conselho Superior de Magistratura contra a juíza do Tribunal Cível de Lisboa. No dia em que esta queixa foi noticiada, na passada sexta-feira, a juíza emitiu a sentença e recusou a petição”, explicam as associações.

“A juíza descreve a nossa petição inicial como abstrata, genérica e ‘obscura’, quando na realidade a petição inclui, ponto por ponto, todas as medidas da Lei de Bases do Clima e os correspondentes prazos que não foram cumpridos”, afirmou Mariana Gomes, presidente e fundadora da Associação Último Recurso.

 De acordo com as três organizações, o Estado falhou na implementação de medidas como um orçamento de carbono, um portal de ação climática, um plano nacional de energia e clima e planos setoriais de mitigação, “uma negligência que é especialmente condenável na sequência de temperaturas extremas e outros danos sem precedentes ocorridos no país”, salientam em comunicado.

“A sentença indefere liminarmente a ação porque o pedido formulado seria ininteligível, o que é avaliado em dois parágrafos. Assim sendo, é difícil de aceitar que o tribunal tenha demorado 4 meses a decidir”, referiu o advogado Ricardo Sá Fernandes, que adianta que a sentença “revela uma insensibilidade jurídica e uma precipitação que chocam, em claro contraste com as recentes decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos”.

A Último Recurso, a Quercus e a Sciaena dizem agora recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça, mas admitem ir até ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, caso necessário.

 

 

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