Transição energética

China e Índia registam queda histórica na produção de eletricidade a carvão

China e Índia registam queda histórica na produção de eletricidade a carvão iStock

A produção de eletricidade a partir do carvão diminuiu na China e na Índia no ano passado pela primeira vez desde a década de 1970, num momento descrito como “histórico” e que poderá abrir caminho a uma descida das emissões globais, segundo uma nova análise.

De acordo com analistas do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), a queda simultânea da eletricidade gerada a carvão nos dois maiores consumidores mundiais deste combustível não acontecia desde 1973. Esta inversão foi impulsionada por uma implementação recorde de projetos de energia limpa.

O estudo, encomendado pelo site especializado em clima Carbon Brief, concluiu que a produção elétrica a partir do carvão caiu 1,6% na China e 3% na Índia em 2024, depois de o forte crescimento das energias renováveis ter sido mais do que suficiente para responder ao aumento da procura energética em ambos os países.

“A quebra na produção de eletricidade a carvão e o aumento recorde da energia limpa na China e na Índia assinalam um momento histórico”, refere o relatório, acrescentando que este poderá ser “um sinal do que está para vir”.

No ano passado, a China acrescentou mais de 300 gigawatts (GW) de energia solar e 100 GW de energia eólica, um total que corresponde a mais de cinco vezes a atual capacidade total de produção elétrica do Reino Unido. Segundo o relatório, estes valores representam “novos recordes claros para a China e, por isso, para qualquer país alguma vez”.

Já a Índia adicionou 35 GW de energia solar, 6 GW de energia eólica e 3,5 GW de energia hídrica. O crescimento mais rápido das energias limpas foi responsável por 44% da redução do uso de carvão e gás no país, em comparação com a média dos cinco anos anteriores, marcando a primeira vez que as renováveis desempenharam um papel significativo na diminuição da produção elétrica a partir do carvão.

Ainda assim, o estudo alertou que cerca de 36% da redução dos combustíveis fósseis na Índia resultou de condições meteorológicas mais amenas, enquanto 20% se deveu a um abrandamento do crescimento da procura. Um aumento das temperaturas extremas no verão poderá, por isso, elevar a procura por ar condicionado e inverter a tendência de queda do consumo energético.

Nos últimos anos, as expectativas de um pico iminente na produção global de eletricidade a carvão foram contrariadas pela guerra da Rússia na Ucrânia, que provocou uma subida acentuada dos preços do gás e levou muitos países em desenvolvimento a recorrerem novamente ao carvão, mais barato.

Há pouco mais de um ano, a Agência Internacional de Energia alertou que este efeito de recuperação, após a quebra registada durante a pandemia de Covid-19, poderia manter a produção de eletricidade a carvão em níveis próximos de máximos históricos até 2027.

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