Circularidade

Campanha na Maia aumenta separação de vidro no canal HORECA

Campanha na Maia aumenta separação de vidro no canal HORECA Direitos Reservados

A campanha “Vidrados no Ambiente” aumentou a separação de vidro no canal HORECA da Maia, ao reforçar práticas de reciclagem junto de 297 estabelecimentos comerciais e ao contribuir para que o vidro encontrado nos contentores de indiferenciado seja atualmente residual.

A campanha dinamizada pela Maiambiente em parceria com o Electrão, envolveu 297 estabelecimentos do canal HORECA na Maia e alcançou 99% dos 300 espaços comerciais que pretendia abranger.

De acordo com as conclusões da campanha, o setor HORECA no concelho apresenta já níveis elevados de separação de vidro, tendo a campanha contribuído para maximizar esses resultados.

Dos 297 estabelecimentos visitados, 262, correspondentes a 88%, foram alvo de monitorização. A maioria, 64%, aceitou as propostas de melhoria apresentadas no âmbito do projeto.

A iniciativa permitiu concluir que modelos de maior conveniência, como a recolha porta-a-porta, utilizada na maior parte dos estabelecimentos abrangidos, contribuem para bons resultados na separação. Segundo as conclusões apresentadas, este modelo poderá também ser direcionado para outros fluxos, nomeadamente papel e cartão de embalagem e resíduos alimentares.

O projeto teve início em setembro de 2025, com contactos e visitas presenciais a 300 estabelecimentos do canal HORECA na área de abrangência do município da Maia, onde vivem mais de 141 mil habitantes. A campanha incluiu um diagnóstico presencial, através de questionário, para avaliar o processo de separação de resíduos dentro dos estabelecimentos, bem como a qualidade da separação e a adequação dos materiais e da sinalética.

Foram também realizadas ações de formação em cada estabelecimento e distribuídos materiais de suporte à campanha, como folhetos, aventais e abre-cápsulas. A monitorização dos resultados teve início um mês após a visita.

A campanha previa impactar mais de 90 mil pessoas, incluindo colaboradores dos estabelecimentos, familiares, clientes e população em geral. Na sequência da iniciativa, a Maiambiente aumentou a capacidade instalada em mais de 157 metros cúbicos por ano e prevê recolher mais 63 toneladas de vidro por ano, o equivalente a 200 quilos por cliente sensibilizado por ano.

No âmbito da campanha, foram ainda atribuídos selos de reconhecimento aos estabelecimentos com melhores práticas implementadas. A avaliação teve em conta critérios como práticas e processos internos de separação, grau de adesão à campanha, qualidade da separação e utilização de elementos promocionais.

Cinco estabelecimentos receberam o selo de ouro. Outros 25 estabelecimentos alcançaram o selo prata e os restantes 267 receberam o selo de participação.

A campanha decorre num contexto em que a recolha de vidro em Portugal continua abaixo das metas definidas. Segundo os dados nacionais do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagem (SIGRE), a taxa de retoma nacional rondou os 54% em 2025, abaixo da meta de 65% prevista para esse ano e ainda distante do objetivo de 75% que Portugal tem de cumprir até 2030.

Para o CEO do Electrão, Pedro Nazareth, “projetos como este devem ser ampliados, sobretudo no canal HORECA, que concentra quase metade do vidro consumido e que é por isso um sector crítico para alavancar a reciclagem deste material”.

“Os resultados da campanha ‘Vidrados no Ambiente’ mostram que o caminho está identificado: é preciso atuar onde o impacto é maior, com soluções concretas, adaptadas aos desafios de cada local e de proximidade. Se conseguirmos escalar este tipo de iniciativas, conseguiremos que o vidro deixe de ser um problema e passe a ser um verdadeiro exemplo de economia circular em Portugal”, acrescenta.

De acordo com o PERSU2030, os municípios e Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos deverão contribuir com a retoma de 95% das embalagens de vidro presentes nos resíduos urbanos.

O vidro é apresentado no âmbito da campanha como uma embalagem reutilizável e infinitamente reciclável, em ciclo fechado e sem perda de qualidade. Quando não é separado, pode demorar 1 milhão de anos a decompor-se. A utilização de casco de vidro no fabrico de novas embalagens permite reduzir o consumo de matérias-primas virgens, o consumo de energia e as emissões de CO2.

 

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