Dinamarca, Noruega e Suécia estão entre os países com mais elevado nível de vida e poder de compra. A procura de produtos e serviços estrangeiros é crescente, desde que se distingam pela qualidade. Na Escandinávia, os produtos portugueses pecam por falta de visibilidade e poucas são as marcas conhecidas. Mas há nichos de mercado onde é nos é reconhecida uma boa relação qualidade / preço, grande flexibilidade e capacidade tecnológica.
Os países escandinavos partilham vários traços comuns e, por isso, são muitas vezes analisados em conjunto. Apesar das semelhanças, é importante pensar individualmente em cada um dos três países, pois há diferenças, principalmente em determinados setores em que Portugal tem uma capacidade exportadora relevante. Por exemplo, exportar vinho para a Dinamarca é totalmente diferente do que para a Suécia e a Noruega. O setor da energia é predominante nas relações com a Noruega e não com a Suécia e com a Dinamarca.
O top cinco das exportações portuguesas para estes três países entre Janeiro e Outubro do ano passado apresentava alguns setores comuns, mas nenhum é comum aos três e as posições que ocupam são distintas, explica Bruno Bobone, Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. “A nossa balança comercial com a Dinamarca e com a Noruega foi, neste período, favorável ao nosso país, ao contrário da balança comercial com a Suécia. Também aqui há diferenças entre os três países”.
Enquanto nossos clientes, nenhum dos três se situa nos dez maiores – a Suécia surge primeiro, na 16ª posição – mas existe muito potencial de crescimento. “Os três países apresentam boas oportunidades de negócio para as empresas portuguesas e esperamos que estas olhem com cada vez maior atenção para estes três mercados”, diz o Presidente da CCIP.
Dinamarca
Dominam exportações de produtos tradicionais
A Dinamarca é um dos países mais ricos da Europa, com um PIB per capita de quase 60 mil dólares. O país tem 5,6 milhões de pessoas com elevado poder de compra e é um país um mercado atrativo para produtos inovadores e de design.
Em termos globais, a Dinamarca é um parceiro comercial relativamente importante para Portugal, tendo ocupado a 20ª posição como cliente e a 27ª como fornecedor em 2014. Se considerarmos apenas a União Europeia, a Dinamarca posicionou-se, no último ano, como 11º cliente e 13º fornecedor de Portugal. João Guerra da Silva, Diretor do Centro de Negócios da AICEP neste país, prevê a médio prazo “um ritmo de crescimento moderado das trocas comerciais entre os dois países”. A balança comercial com a Dinamarca, desfavorável a Portugal desde 2004, alterou-se a partir de 2012, passando a registar saldos positivos que, em 2014, se fixaram em 39 milhões de euros, consequência do aumento sucessivo das nossas vendas (305 milhões de euros) e da quebra das compras ao mercado (266 milhões de euros).
Os produtos portugueses mais relevantes para a Dinamarca são os tradicionais, com o calçado, o vestuário, as matérias têxteis, a madeira e cortiça e os vinhos e produtos alimentares a representarem 63% do total. Nas importações, os produtos agrícolas, os produtos químicos, as máquinas e aparelhos e os combustíveis minerais foram responsáveis por 65,9% das chegadas daquele mercado. Na área dos serviços a balança bilateral é tradicional e amplamente favorável a Portugal, com o saldo da balança comercial a registar 164,8 milhões de euros em 2014.
Noruega
Oportunidades na indústria limpa
Com uma população de 5,1 milhões de habitantes, a Noruega foi a sétima economia mais competitiva em 2015 de acordo com o World Competitiveness Scoreboard, que avalia 60 países. O país é rico em recursos naturais como petróleo e gás, água, energia hídrica, floresta e peixe. É o país mais importante na aquacultura, o segundo que mais peixe exporta e o terceiro maior exportador de petróleo e gás. Tem tradição na indústria marítima e o setor da saúde e bem-estar é outro muito relevante.
Os setores com maior potencial são o petróleo e gás, as energias renováveis, a biotecnologia marinha, o turismo, o peixe e marisco e a indústria naval e há várias oportunidades na indústria limpa, na energia hídrica, eólica e solar e no transporte elétrico (a Noruega é líder mundial nos veículos elétricos), entre outros.
As previsões de crescimento para os próximos anos apresentam valores muito positivos ao nível do crescimento do PIB, emprego (em 2015 o nível de desemprego estava nos 4,2% e tende a diminuir) e salários, de acordo com dados apresentados pelo embaixador da Noruega em Lisboa, Ove Thorsheim, no Seminário “Exportar & Investir”, organizado pela CCIP no final de novembro passado.
As exportações de Portugal para a Noruega rondam os 280 milhões de euros e são diversificadas, com predominância para os têxteis, calçado, produtos agrícolas, veículos automóveis, entre outros. Nas importações dominam o peixe processado e fresco, gás e petróleo e alumínio, num valor superior a 490 milhões de euros.
Suécia
Investimento forte em Portugal
A multinacional de origem sueca IKEA tem sido o rosto mais visível do investimento sueco em Portugal. O investimento totalizou 1,1 mil milhões de euros até 2015, o dobro do valor previsto em 2008 (Ver caixa). Outros investimentos suecos relevantes no nosso país vêm de empresas como a ABB /Asea Brown Boveri (Energia e ambiente), Bohus Bioteh (Serviços de saúde), Electrolux (Equipamentos e produtos industriais), Ericsson (Tecnologias e inovação – Telecomunicações), Gambro Lundia (Equipamento médico-hospitalar), H&M Hennes & Mauritz (Moda), Securitas (Segurança), Atlas Copco (Equipamentos e produtos industriais), SCA (Pasta de papel), Tele 2 (Telecomunicações) e Tetra Pak (Equipamentos e produtos industriais).
Até final de 2014, a relação económica bilateral entre Portugal e a Suécia tem sido estável para Portugal, no que respeita às expedições. O saldo da balança comercial tem sido negativo para Portugal nos últimos anos, mas o coeficiente de cobertura tem vindo a aumentar. Em 2014, a Suécia foi o 15º cliente de Portugal, enquanto a Suécia ocupava a 16.ª posição nos fornecedores de Portugal. O peso da Suécia é de 1%, quer no volume das exportações, quer das importações portuguesas. Nesse ano as exportações para a Suécia cresceram 5,6%, totalizando 466 milhões de euros.
Na última década notou-se uma mudança no padrão das expedições de Portugal para a Suécia, de acordo com Eduardo Souto de Moura, Diretor do Centro de Negócios de Estocolmo. O grau de intensidade tecnológica continua a ser relativamente baixo (cerca de metade das exportações) mas nos últimos anos tem vindo a aumentar a quota dos produtos com uma intensidade média-alta e média-baixa. É o caso dos produtos incluídos no grupo de máquinas e aparelhos. Nas exportações para a Suécia destacam-se os minerais e minérios, que representaram 19% do total das nossas exportações em 2014. Este valor traduz já uma quebra que se explica pela menor necessidade de metais por parte da indústria sueca, na sequência da redução das suas exportações. Nos primeiros sete meses de 2015, a quebra foi superior a 70% limitando o peso deste produto a 6,4% do total exportado.
Portugal chegou a ser um dos principais fornecedores suecos de produtos ditos tradicionais, como têxteis, confeções e calçado, mas tem vindo a perder quota desde o início desta década a favor dos países do leste europeu e, essencialmente, asiáticos, que têm uma relação de preço mais favorável. “Portugal continua a ser reconhecido na Suécia como sendo um país, neste tipo de produtos, de qualidade e com um tecido industrial moderno e flexível, apresentando uma boa relação de preço/qualidade, fazendo com que os nossos produtos cada vez mais se dirijam a segmentos de mercado onde a qualidade seja um fator determinante”, explica Eduardo Souto de Moura. A maioria dos têxteis nacionais são vendidos com marcas suecas reconhecidas internacionalmente. O calçado obteve excelentes resultados nos últimos anos, com um crescimento de quase 30% nos primeiros sete meses de 2015. Também as exportações portuguesas de serviços têm aumentado e totalizaram 222 milhões de euros em 2014, com o turismo a representar mais de metade do total.
Os apoios com que pode contar:
Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa
Os apoios à internacionalização assumem diferentes formas:
- Contactos para networking com instituições e empresas locais de referência.
- Realização de estudos de mercados a pedido das empresas, com informações sobre o contexto, a concorrência e as oportunidades.
- Agendamento de reuniões nestes mercados.
- Participação em missões empresariais a mercados de interesse, que incluem realização de reuniões individuais. Uma destas missões está agendada para Julho próximo.
AICEP
A AICEP tem Centros de Negócios na Dinamarca e Suécia, que disponibilizam os seguintes apoios:
Nas relações com a Dinamarca:
- Informação sobre o mercado/setores/empresas.
- Apoio na marcação de reuniões.
- Acompanhamento de negócios/missões.
- Apoio na divulgação de empresas e produtos.
- Contactos comerciais.
- Promoção de investimentos, etc.
Nas relações com a Suécia:
- Apoio logístico na marcação de reuniões.
- Elaboração de informação sectorial selecionada.
- Apoio no relacionamento com as direções das diferentes feiras profissionais.
- Apoio ao nível institucional, quando requisitado ou necessário.
Oportunidades para as empresas portuguesas
- Na Dinamarca – Produtos agroalimentares e bebidas, calçado, energias renováveis, setor farmacêutico, materiais de construção e vestuário.
- Na Noruega – Tecnologias limpas, indústria marítima, infraestruturas, setor alimentar ligado ao mar, setor florestal e tecnologias da saúde.
- Na Suécia – Produtos agroalimentares, energias renováveis, setor farmacêutico, azeite, biotecnologia e TIC.
Fonte: CCIP
Transportes adequados às necessidades
Não há notícia de dificuldades sentidas ao nível do transporte de mercadorias para estes mercados. De acordo com a empresa José Maria da Fonseca, a oferta é boa e há boas opções, tanto por via marítima como por via terrestre, o que permite assegurar um nível de serviço muito elevado aos clientes. “Os nossos clientes são responsáveis pelo transporte e consideram a relação preço-qualidade boa”, garante António Maria Soares Franco, administrador da empresa.
Prós e Contras
Vantagens:
- Poder de compra elevadíssimo nos três países. Estão no top 10 dos países europeus com PIB per capita mais alto.
- Consumidores sofisticados e interessados em investir em bens e serviços que se distinguem pela qualidade, diferenciação e utilidade.
- Segurança. Quando um contrato é assinado é cumprido escrupulosamente. Os prazos de pagamento são cumpridos e muitas vezes antecipados.
- Estabilidade económica, política e social.
- Legislação rigorosa e níveis de corrupção dos mais baixos do mundo.
- Ambiente de negócios favorável.
- Economias com elevado grau de abertura ao exterior e cada vez mais globalizadas.
- Sistemas financeiros e económicos estáveis.
- Mercados abertos às importações mas que valorizam produtos nacionais.
- A Dinamarca e a Suécia são membros da União Europeia.
- A Noruega tem o custo mais baixo da Europa em termos de eletricidade.
- Acordos para evitar a dupla tributação.
- Sociedades altamente regulamentadas, com uma cultura de negócios assente na confiança.
- Cultura de negócios horizontal que valoriza a competência, responsabilidade e informalidade.
- Cultura de “estamos todos no mesmo barco” em que se trabalha para o bem comum.
- Organização e fiabilidade são valores fortes, mas os mercados escandinavos também apreciam a flexibilidade, informalidade e sentido prático. Os noruegueses, por exemplo, não apreciam parceiros rígidos, demasiado educados ou stressados, controladores ou que pedem mais informação do que a considerada necessária.
Desvantagens:
- Mercados muito maduros, com um grau de exigência muito alto.
- Forte concorrência. Todas as grandes multinacionais estão presentes e há muitas marcas locais de referência.
- No segmento alto a concorrência vem dos países europeus com marcas, no segmento médio vem dos países asiáticos, do leste europeu e do báltico.
- Custo de entrada penoso para muitas empresas portuguesas ansiosas de retorno rápido.
- Carga fiscal elevada.
- Nalguns países, como a Dinamarca, há uma consciência generalizada de defesa do produto nacional e o produto dinamarquês tende a dominar o mercado.
- Grande pressão sobre os fornecedores estrangeiros na Dinamarca, com os agentes económicos a procurarem sempre melhores preços e condições.
- Fraca visibilidade dos produtos portugueses na Suécia. A promoção é fraca e não existem marcas portuguesas.
- Na Noruega, não é fácil conseguir crédito.
- Cultura de negócios bastante diferente da portuguesa, com a valorização de parceiros bem organizados, estruturados e previsíveis, confiáveis e dedicados.
Conselhos
- Portugal necessita de maior visibilidade nestes mercados. Os produtos nacionais são, regra geral, de boa qualidade e a preços competitivos. Mas são pouco conhecidos junto dos empresários e consumidores.
- As empresas portuguesas devem intensificar as campanhas de promoção e de marketing e apostar na introdução de marcas próprias.
- Na Dinamarca as empresas portuguesas têm oportunidade para efetuar investimentos no setor da distribuição.
- É fundamental o cumprimento dos prazos de entrega e todas as reuniões devem ser agendadas com pelo menos um mês de antecedência.
- É preciso apresentar bons níveis de competitividade: apresentar eficiência, inovação, recursos humanos altamente qualificados e uma cultura empresarial sofisticada.
- Para fazer negócios na Noruega siga um conselho muito prático: faça um plano de negócios!
- Não tente entrar nestes mercados enquanto persistir um elevado grau de incerteza. A incerteza é uma barreira fortíssima e impede alcançar os objetivos pretendidos de acordo com o planeamento delineado.





