Um novo estudo da Transport & Environment (T&E) concluiu que, em várias cidades portuárias europeias, as ligações por ferry estão a gerar mais poluição atmosférica do que a totalidade do tráfego automóvel local, levantando pressão para acelerar a eletrificação do setor.
De acordo com a análise, só em 2023 os 1.043 ferries avaliados emitiram 13,4 milhões de toneladas de CO₂, um volume equivalente ao gerado por 6,6 milhões de carros num ano.
A T&E apontou ainda casos como Barcelona, Dublin e Nápoles, onde as emissões de óxidos de enxofre (SOx) associadas aos ferries superam as dos automóveis.
Entre os portos analisados, Dublin surge como a cidade com maior exposição a óxidos de enxofre relacionada com ferries, seguida de Las Palmas (Gran Canária) e Holyhead (País de Gales).
Segundo a ONG, no Mediterrâneo, a pressão é também elevada. A partir de 1 de maio de 2025, o mar Mediterrâneo passou a estar abrangido por uma Área de Controlo de Emissões de Enxofre, reduzindo o limite de enxofre no combustível marítimo de 0,5% para 0,1%, com o objetivo de cortar a poluição do ar nas zonas costeiras.
A T&E defendeu que a solução passa por uma renovação acelerada da frota. A idade média dos ferries na Europa é de 26 anos, e a organização considera necessária uma “renovação completa”, argumentando que a eletrificação e a hibridização podem reduzir significativamente as emissões e melhorar a qualidade do ar nas cidades portuárias.
O estudo identificou a infraestrutura de carregamento como o principal obstáculo, mas sustenta que é um problema mais limitado do que se assumia, indicando que “57% dos portos precisariam apenas de pequenos carregadores com potência inferior a 5 MW para suportar as operações de ferries elétricos”.
Para Felix Klann, membro da equipa de transporte marítimo sustentável da T&E, “os ferries deveriam ligar comunidades, não poluí-las”, acrescentando que muitos navios continuam a queimar combustíveis fósseis e a “lançar ar tóxico” nas cidades portuárias europeias.
O responsável defendeu também que a eletrificação pode trazer alívio para milhões de pessoas e sublinhou que “os ferries elétricos já são mais baratos de operar em muitas rotas, e mais vão tornar-se competitivos em termos de custo nos próximos anos”.

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