Mobilidade

Eletrificação das frotas empresariais pode gerar 246 mil milhões de euros em poupanças até 2030

Eletrificação das frotas empresariais pode gerar 246 mil milhões de euros em poupanças até 2030 iStock

Apenas 6% da frota automóvel das empresas é elétrica na Europa, segundo o estudo Fleet forward: powering the transition to electric mobility, da EY e da Eurelectric, que estima poupanças acumuladas nos custos operacionais de perto de 246 mil milhões de euros até 2030 caso as organizações acelerem a eletrificação dos seus veículos.

O relatório identifica, no entanto, quatro obstáculos que continuam a travar a adoção em larga escala.

De acordo com o estudo, a transição das frotas empresariais europeias para veículos elétricos poderá traduzir-se em cerca de 49 mil milhões de euros de poupanças por ano até ao final da década. Só com combustível, a estimativa aponta para uma redução de custos entre 130 mil milhões e 140 mil milhões de euros, com base nos preços médios praticados na União Europeia.

O impacto climático é também destacado no relatório. A eletrificação total das frotas poderá evitar até mil milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2030.

As vantagens económicas já são visíveis em vários segmentos. Segundo o estudo, os veículos elétricos ligeiros de passageiros e comerciais apresentam custos operacionais por quilómetro inferiores aos dos equivalentes com motor de combustão interna, sobretudo quando o carregamento é feito em instalações próprias das empresas. No transporte pesado, os camiões elétricos também podem alcançar custos operacionais mais baixos em rotas específicas.

Ainda assim, a EY conclui que os ganhos operacionais não bastam, por si só, para acelerar a transição. O estudo identifica quatro barreiras principais: preços de aquisição elevados, incerteza quanto ao valor residual, incentivos públicos inconsistentes e atrasos na ligação à rede elétrica ou na expansão da infraestrutura de carregamento.

Para Constantin M. Gall, EY Global Aerospace, Defense & Mobility Leader, “a eletrificação das frotas já garante vantagens a nível dos custos operacionais em vários segmentos”. No entanto, acrescenta, “o custo total continua condicionado por limitações estruturais próprias de um ecossistema ainda em desenvolvimento e do processo de adaptação em curso”.

E continua: “desvantagens no custo inicial, risco associado ao valor residual, políticas fragmentadas e constrangimentos na rede elétrica continuam a atrasar decisões de investimento em veículos elétricos. A forma como estes obstáculos forem resolvidos determinará a velocidade da transição”.

Também José Roque, Energy Segment Lead da EY Portugal, enquadra esta mudança como uma questão de competitividade. “A eletrificação das frotas das empresas deve ser encarada como uma oportunidade estratégica para a Europa reforçar a sua competitividade industrial e energética. Para concretizar esse potencial, é preciso um planeamento integrado entre os sistemas de transporte, energia e infraestruturas digitais para acelerar a mobilidade elétrica, garantindo que a transição acontece de forma coordenada em todo o ecossistema”, refere.

O relatório sublinha o peso das frotas empresariais na descarbonização do transporte rodoviário. Na União Europeia (UE), seis em cada dez novos veículos são adquiridos por empresas, que são responsáveis por 71% das emissões de CO2 associadas aos automóveis.

Para Kristian Ruby, secretário-geral da Eurelectric, “o potencial de poupança económica e de redução de emissões é, por isso, enorme. Uma estratégia bem desenhada pode acelerar a procura por veículos elétricos e fortalecer a indústria europeia e a independência energética”.

Neste contexto, o estudo defende uma ação coordenada entre os vários intervenientes do ecossistema. Aos operadores cabe maximizar o carregamento inteligente, apontado como fator-chave para reduzir custos e melhorar margens operacionais. Já os fabricantes são chamados a reduzir a diferença de preço inicial e a aumentar a transparência da informação sobre as baterias, enquanto os decisores políticos devem assegurar previsibilidade fiscal e regulatória.

A análise da EY e da Eurelectric enquadra esta evolução num contexto de aceleração do mercado. Em 2025, as vendas de carros elétricos atingiram cerca de 23,7 milhões de unidades em todo o mundo, o equivalente a 26% do mercado automóvel global. Na Europa, os automóveis elétricos representaram 29% do mercado, acima dos 12% registados nos Estados Unidos, mas abaixo dos 48% da China. Em dezembro, pela primeira vez, os novos registos de veículos elétricos ultrapassaram os de carros a combustão em território europeu, com 22,6% face a 22,5%.

O enquadramento regulatório europeu poderá reforçar esta trajetória. A proposta de regulamento relativa às normas de emissão de CO2 para automóveis de passageiros e veículos comerciais ligeiros, apresentada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025 no âmbito do Pacote Automóvel, prevê metas vinculativas para a adoção de veículos de emissão zero ou de emissões reduzidas por grandes empresas a partir de 2030.

A infraestrutura de carregamento também continua a crescer. A rede pública ultrapassa atualmente 1,2 milhões de pontos de carregamento, mais 19% do que em 2024 e três vezes mais do que em 2021. No segmento dos camiões, os pontos de carregamento aumentaram 30% no último ano, para 937, o que representa um crescimento de seis vezes face a 2021.

 

 

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