Descarbonização

Estudo: Carne responsável por quase 60% das emissões de GEE da produção alimentar

Um estudo revelou que a produção global de alimentos é responsável por um terço de todos os GEE emitidos pela atividade humana.

A produção global de alimentos é responsável por um terço de todos os gases de efeito de estufa (GEE) emitidos pela atividade humana, com o uso de animais para carne a produzir o dobro da poluição da produção de alimentos baseados em plantas, revelou um novo estudo publicado na Nature Food.

A investigação relata, segundo o The Guardian, que todo o sistema de produção de alimentos, desde as máquinas, aos fertilizantes e ao transporte de produtos, emite 17,3 mil milhões de toneladas métricas de GEE por ano, avança o The Guardian.

“As emissões estão no extremo mais alto do que esperávamos, foi uma pequena surpresa”, disse o cientista climático da Universidade de Illinois e coautor do artigo, Atul Jain.”Este estudo mostra todo o ciclo do sistema de produção de alimentos, e os decisores políticos podem querer usar os resultados para pensar em como controlar as emissões de gases com efeito de estufa”, explicou.

A criação e abate de animais para alimentação é muito pior para o clima do que o cultivo e a transformação de frutas e produtos hortícolas para a alimentação, segundo a investigação, confirmando as descobertas anteriores sobre o impacto que a produção de carne, em particular a carne de bovino, tem no ambiente.

Outras conclusões

O estudo revelou ainda que a utilização de bovinos, suínos e outros animais para alimentação, bem como os alimentos para animais, é responsável por 57% de todas as emissões de produção alimentar. 29% das emissões são provenientes do cultivo de alimentos à base de plantas. O resto provém de outros usos da terra, como o algodão ou a borracha. Só a carne de bovino é responsável por um quarto das emissões produzidas.

O documento calcula ainda que a maioria de todas as terras de cultivo do mundo é utilizada para alimentar animais, em vez de pessoas.

“Todas estas coisas combinadas significam que as emissões são muito elevadas”, disse outro investigador da Universidade de Illinois e principal autor do artigo, Xiaoming Xu. “Para produzir mais carne é preciso alimentar mais os animais, o que depois gera mais emissões. É preciso mais biomassa para alimentar os animais para obter a mesma quantidade de calorias. Não é muito eficiente”, considerou.

Os investigadores construíram uma base de dados que forneceu um perfil consistente de emissões de 171 culturas e 16 produtos animais, retirando dados de mais de 200 países. A América do Sul foi a região com maior quota de emissões alimentares baseadas em animais, seguida do sul e sudeste asiático e depois da China. As emissões relacionadas com os alimentos têm crescido rapidamente na China e na Índia.

Os cálculos do documento sobre o impacto climático da carne são superiores às estimativas anteriores – a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura disse que cerca de 14% de todas as emissões provêm da produção de carne e diário.