1º Barómetro Sustentável

Eficiência energética preocupa empresas portuguesas

1º Barómetro Sustentáveç

A eficiência energética está no topo das preocupações das empresas portuguesas no que respeita à sustentabilidade. A conclusão é do Barómetro Sustentável, uma iniciativa da revista SUSTENTÁVEL que pretende saber por onde passam as prioridades dos empresários e gestores nacionais em matéria de práticas mais sustentáveis.

Quando perguntamos qual é o foco dado à sustentabilidade nas empesas nos últimos 12 meses, numa escala de 1 a 5, a eficiência energética conquistou 4,32 valores de média, seguida de muito perto pela tecnologia com 4,15. Alterações climáticas, economia circular, consumo ético, descarbonização, desplastificação e compras ecológicas preferenciais são os  são os temas que se seguem na agenda das empresas com valorizações muito idênticas. O ecodesign aparece menos destacado, com apenas 2,92 pontos.

Se falarmos em catalisadores para a mudança, os produtos e processos inovadores destacam-se com uma média de 4,6. Mas o interesse dos acionistas /CEO e da direção de topo também são reconhecidos como os grandes dinamizadores de políticas de sustentabilidade, seguidos pela reputação, oportunidades de mercado e redução de custos. A pressão do cliente e as imposições legais não são os pontos mais referidos, ficando na segunda metade da tabela.

Sustentabilidade não é genética

Perguntámos às empresas de que forma a sustentabilidade está integrada no ADN da organização, com possibilidade de escolher as opções que mais de adequavam à sua realidade.

E se a esmagadora maioria das empresas inquiridas garante que a sustentabilidade faz parte dos valores da organização (81,9%) e da sua visão a longo prazo (80,7%), a prática pode revelar que pode ser apenas um conjunto de boas intenções. Só 63% fomentam a comunicação de boas práticas internas e externas, apenas metade tem práticas sustentáveis no seu código de conduta e 45% promovem ações de formação/sensibilização para a adoção destas práticas. Quanto aos recursos humanos, os números são ainda mais baixos. Só 32,2% das empresas marca a orientação para a sustentabilidade no perfil de competências e o número de empresas com objetivos sustentabilidade definidos para os colaboradores baixa para os 23,4%. Quanto a bónus indexados a resultados de práticas sustentáveis, esta prática parece ser apenas insipiente: representa apenas 5,8% das respostas.

As políticas empresariais e os produtos e serviços das empresas estão a incorporar cada vez mais a sustentabilidade e em alguns casos o negócio muda por completo em função de novas orientações. Exemplos como as empresas de petróleo e gás, que se reinventam e estão a fazer shift do negócio, são a prova de que há uma revolução em curso.

73,7% dos inquiridos deste Barómetro afirmam que a sustentabilidade está integrada na política da empresa e 61,4% nos produtos e serviços, um valor muito aproximado dos que indicam estar integrada no plano estratégico (58,5%).  Já a inclusão de kpi ligados à sustentabilidade é um work in progress, referido por apenas 29,2%.

Eficiência energética é o grande compromisso

Mais uma vez a eficiência energética aparece como grande compromisso das empresas e é a prioridade número um de 79,5% dos inquiridos quando se fala dos compromissos integrados no Roteiro da Neutralidade Carbónica. Logo a seguir estão a gestão de resíduos e reciclagem, com 62% e a economia circular, com 50,3%.

Já os processos inovadores são considerados prioridade para garantir uma cadeia de abastecimento mais eficiente. 83,6% dos inquiridos selecionaram esta opção, seguida da tecnologia com 63,7% e da certificação com 53,2%. Também as sinergias com parceiros foram valorizadas em quase metade das empresas (43,9%). A colaboração pode ser a palavra-chave para acelerar a descarbonização a curto prazo.

A automatização/digitalização na cadeia de abastecimento é apontada pela maioria das empresas como uma das melhores soluções para incrementar a sustentabilidade. A partilha e colaboração são também muito valorizadas por 64,3% dos inquiridos.  O Blockchain foi o aspeto menos valorizado nesta questão, assinalado por 14,6% da amostra.

E na prática, quanto se investe?

A maioria das empresas (63,7%) admite investir até 50.000€, anualmente, em sustentabilidade e apenas 5,8% refere gastar mais de um milhão de euros nestas práticas. No extremo oposto está o retalho, que domina as classes de investimento mais altas.

Já a responsabilidade da sustentabilidade é assumida na maioria das empresas desta amostra ao mais alto nível, pela Administração, Presidência ou Comissão Executiva. Qualidade, Operações e as Unidades de Negócio são as categorias que se seguem. No fundo da tabela aparece o Marketing, Comunicação e Recursos Humanos.

Ficha técnica

Para este Barómetro foram inquiridas 170 empresas, que responderam durante os meses de julho e agosto de 2020. Desta amostra, 41,5% dos inquiridos representava o setor agrícola, 21,3% a Indústria, 19,9% os Serviços e 12,2% o Retalho. Na caracterização por região, Lisboa e Centro são as áreas geográficas com maior peso nas respostas desta amostra. Administração/Direção Geral foi a função assinalado por 59,1% dos respondentes, seguidos de responsáveis de marketing (13%), responsáveis de sustentabilidade (7,3%) e de Qualidade (6,1%).