A Comissão Europeia apresentou as primeiras iniciativas para impulsionar o investimento em soluções de energia limpa, com o objetivo de aumentar a resiliência do setor e reduzir os preços da energia.
Num contexto geopolítico complexo, a União Europeia (UE) continua a enfrentar os riscos associados à dependência dos combustíveis fósseis importados, o que tem implicações diretas na segurança energética.
Segundo a comunicação de Bruxelas, os elevados preços da energia têm gerado preocupações tanto entre os cidadãos como nas indústrias, sendo que as fontes de energia limpa continuam a ser as mais acessíveis e seguras. Para a Comissão Europeia, estas fontes representam a única solução viável a médio prazo para reduzir a exposição da Europa à volatilidade dos preços e garantir a estabilidade energética.
De acordo com o comunicado de imprensa, para tirar pleno proveito das suas próprias fontes de energia, a Europa precisa de uma “mudança radical” no seu sistema energético e nas infraestruturas associadas.
A estratégia de investimento em energias limpas da Comissão Europeia visa assim colmatar a lacuna entre o capital privado disponível e os investimentos necessários, reduzindo os riscos associados aos projetos.
Segundo a Comissão, esta abordagem ajudará a mobilizar financiamento privado para as redes energéticas, tecnologias inovadoras no setor das energias limpas e iniciativas de eficiência energética.
A Comissão Europeia irá também apresentar uma nova estratégia em colaboração estreita com o Grupo do Banco Europeu de Investimento (BEI), que se compromete a disponibilizar mais de 75 mil milhões de euros nos próximos três anos para apoiar os objetivos da transição energética limpa. Este financiamento visa impulsionar projetos relacionados com energias renováveis e a modernização das infraestruturas energéticas.
O Grupo BEI terá um compromisso específico de até 500 milhões de euros para o Fundo de Investimento em Infraestruturas Estratégicas, que servirá como capital inicial para investimentos em projetos de infraestruturas energéticas. Esta medida pretende dar um impulso financeiro ao desenvolvimento das redes energéticas da UE, alinhando-se com as metas do pacote europeu relativo às redes de energia.
“Uma energia mais barata é fundamental para apoiar a nossa indústria e competitividade. Mas a Europa também precisa de um sistema energético que coloque os cidadãos no centro – para fornecer energia a preços mais acessíveis e apoiar os consumidores mais vulneráveis”, lê-se na comunicação.
De acordo com a Comissão, as tecnologias energéticas limpas desenvolvidas internamente são “fundamentais” para garantir uma energia fiável e a preços acessíveis, além de consolidar a liderança da UE nas tecnologias de impacto zero. O aumento da produção de componentes europeus e a criação de uma cadeia de abastecimento robusta na UE serão cruciais para reduzir a dependência das importações e assegurar a autonomia estratégica do continente.
“A situação no Irão lembra-nos uma verdade simples: a energia limpa produzida internamente é a única solução duradoura para a UE romper com o ciclo de dependência dos combustíveis fósseis e a volatilidade dos preços”, afirmou Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável pela Transição Limpa, Justa e Competitiva.
E continua: “hoje, adotamos um pacote para impulsionar os nossos esforços e apoiar os cidadãos na obtenção de faturas de energia mais baixas. Queremos garantir as condições de investimento adequadas para canalizar capital privado para os nossos sistemas energéticos limpos, acessíveis e produzidos internamente. O passo de hoje é mais um avanço nesta direção”.

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