O Marine Stewardship Council (MSC) divulgou recentemente os resultados do relatório global “Consumer Insights”, que revelou que 55% dos portugueses afirmaram estar a mudar a sua dieta devido a razões ambientais, para além da saúde e do preço.
De acordo com o comunicado de imprensa, a nível global, também “os consumidores estão mais conscientes do que nunca do impacto que as suas escolhas alimentares têm sobre o planeta”.
O estudo, desenvolvido em parceria com a GlobeScan, concluiu ainda que a maior alteração na dieta dos consumidores verifica-se na carne vermelha, tendo 52% dos inquiridos reduzido o seu consumo nos últimos dois anos.
Por sua vez, 40% indicaram estar a consumir mais legumes e 12% disseram que estavam a consumir mais peixe, sendo que 35% dos inquiridos afirmaram ainda que, no futuro, consumiriam mais peixe e marisco de uma determinada marca se soubessem que não estavam a causar danos aos oceanos.
No topo das preocupações ambientais dos consumidores estão as alterações climáticas, entre outras questões importantes, tais como: a perda e destruição de florestas e bosques (44%), a saúde dos oceanos (42%) e a poluição dos rios e ribeiros (28%).
A análise sublinha ainda que a ecoansiedade sentida pelos consumidores de produtos do mar, relativamente ao estado dos oceanos, também aumentou, com 99% dos inquiridos a dizerem-se preocupados. Por outro lado, o otimismo quanto à possibilidade de salvar o oceano de danos irreversíveis caiu a pique, apenas 35% afirmam acreditar que, dentro de 20 anos, teremos salvo os oceanos dos danos irreparáveis causados pelos seres humanos.
Relativamente às soluções para os problemas dos ecossistemas marinhos, 27% dos consumidores apresentam uma boa compreensão do que é a pesca sustentável: 64% dos inquiridos afirmaram que a pesca sustentável não captura indivíduos juvenis para garantir a sua renovação. Além disso, 62% afirmaram que a associam à garantia de que as espécies em perigo ou vulneráveis estão protegidas.
Para Laura Rodríguez, Diretora do Programa MSC de Portugal e Espanha, os resultados revelam “uma preocupação crescente do público com o estado dos nossos oceanos. A sua proteção e a diversidade da vida que nele existe são vitais para a saúde do planeta. Temos de redobrar os nossos esforços coletivos para combater a sobrepesca e a enorme ameaça que esta representa. Incentivar uma mudança positiva, através do reconhecimento e da recompensa dos pescadores que fazem uma gestão sustentável, é vital para o progresso”.
E continua: “ao assegurar que as práticas de pesca são sustentáveis, podemos garantir mais vida no oceano e proteger um recurso alimentar valioso para esta e para as gerações futuras”.
O relatório, publicado de dois em dois anos, desde 2016, inquiriu mais de 27.000 pessoas, em 23 países, entre janeiro e março de 2024, sendo 601 dos inquiridos consumidores de produtos dos mares portugueses.

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