Circularidade

ABA sublinha importância dos óleos alimentares usados na produção de energia ‘limpa’

Bioenergia avançada cresceu 14,5% em Portugal e atingiu 747 mil toneladas em 2024 Direitos Reservados

No âmbito do Dia Mundial da Alimentação, que se assinalou na passada quinta-feira, dia 16 de outubro, a Associação de Bioenergia Avançada (ABA) chamou a atenção para o impacto do desperdício alimentar e destacou o potencial dos resíduos, nomeadamente os óleos alimentares usados (OAU), usados na produção de biocombustíveis avançados e apontados como uma das soluções mais eficazes para reduzir as emissões do setor dos transportes.

“A reciclagem de óleos alimentares usados é um exemplo claro de economia circular em ação. Este resíduo, quando corretamente encaminhado, pode ser transformado em biocombustíveis avançados ou até mesmo reutilizado para valorização energética”, alertou Ana Calhôa, Secretária-Geral da ABA.

E continua: “a fração que se consegue aproveitar para produção de biocombustíveis é uma alternativa renovável que reduz as emissões de CO₂ até 90%, face aos combustíveis fósseis. Com a agravante do impacto ambiental da ausência de uma recolha adequada: um litro de óleo pode poluir cerca de um milhão de litros de água”.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados no comunicado de imprensa enviado às redações, Portugal desperdiça cerca de 1,93 milhões de toneladas de alimentos por ano, o que corresponde a 182,7 quilos por habitante. As famílias representam mais de dois terços deste desperdício, evidenciando a necessidade de reforçar a sensibilização e incentivar a adoção de práticas mais sustentáveis no quotidiano.

A comunicação enfatiza ainda que Portugal apresenta taxas de recolha ainda muito reduzidas no que toca à recolha de OAU, apesar do seu elevado potencial energético.

Segundo o relatório da ZERO, também citado na nota de imprensa, a média nacional de recolha nos municípios com mais de 100 mil habitantes foi de apenas 0,11 litros por habitante/ano. Os melhores desempenhos, registados na Maia, Seixal, Oeiras, Matosinhos e Amadora, situaram-se entre 0,18 e 0,29 litros, enquanto os piores casos não ultrapassaram 0,01 a 0,06 litros por habitante/ano.

De acordo com a comunicação, a conversão de óleos alimentares usados em biocombustíveis avançados representa uma “cadeia de valor sustentável”, que abrange todo o processo — desde a recolha nos oleões municipais e industriais, passando pelo tratamento e refinação, até à utilização final em frotas rodoviárias, transportes públicos e aviação.

Segundo o relatório anual mais recente da ABA, só em 2024 este subproduto correspondeu a 22% da matéria-prima utilizada na produção nacional de biocombustíveis, evidenciando a sua importância crescente na diversificação da matriz energética.

“Portugal tem uma oportunidade estratégica de potenciar a recolha de óleos alimentares e integrá-la numa visão mais ampla de descarbonização do transporte. Ao transformar resíduos em energia limpa, reduzimos simultaneamente a poluição, a dependência energética externa e o desperdício”, acrescentou Ana Calhôa.

A ABA destacou ainda que a produção de biocombustíveis a partir de matérias-primas residuais — como óleos alimentares usados, gorduras animais e subprodutos da indústria alimentar — constitui uma das “vias mais eficientes para cumprir as metas europeias de energia renovável no setor dos transportes”, estabelecidas para 2030.

 

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