Operadores Logísticos

Distribuição da vacina será “muito exigente do ponto de vista logístico”

iStock

Com várias vacinas experimentais a mostrarem-se preliminarmente eficazes contra a covid-19, alguns países da Europa já estão a pensar na vacinação. Portugal ainda está a desenhar uma estratégia, mas o primeiro ministro, António Costa, alerta para a elevada exigência logística da distribuição da vacina.

“No primeiro semestre do próximo ano, o mundo passará a dispor de uma vacina. Será muito exigente do ponto de vista logístico, que tem a ver com a sua distribuição e com o plano de vacinação. Vai ser difícil e é seguramente incerto”, disse o primeiro ministro esta segunda-feira (23 de novembro), na conferência sobre a presidência portuguesa da União Europeia.

Já a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, garantiu que o plano de vacinação tem vindo a ser elaborado ao longo dos últimos meses, sendo que a questão concreta da logística também está a ser pensada, mas dependerá do local de origem da vacina, da quantidade de vacinas e das próprias características da vacina.

Na habitual conferência de imprensa, Graça Freitas assegurou, esta terça-feira (24 de novembro) que as questões do transporte, armazenamento e distribuição estão a ser equacionadas.

Mesmo para a ONU, a distribuição humanitária das vacinas vai ser um desafio. Pedro Matos, que se especializou na gestão de emergências e trabalha há mais de 10 anos no Programa Alimentar Mundial (WFP- World Food Programme), admitiu recentemente, em entrevista à TSF, que “a ONU pode nunca ter estado envolvida numa operação tão grande como esta”.

“Não sei se alguma vez nós tivemos uma operação tão grande como esta”, afirmou Pedro Matos à rádio, que recorda o trabalho desenvolvido noutras pandemias, como o surto de Ébola, mas que estava circunscrito a uma região.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou, de resto, orientações para a indústria de carga aérea preparar-se para os “desafios logísticos” que esta “distribuição em grande escala” de vacinas para a covid-19 acarretará.

De facto, as baixas temperaturas que algumas destas vacinas necessitarão, caso da vacina da Pfizer que deverá ser armazenada e transportada a temperaturas a rondar os 70 e 80.º C, vai envolver desafios logísticos extremamente complexos em toda a cadeia de abastecimento.

Aliás, Reino Unido e Alemanha planeiam começar a vacinar os cidadãos já no mês de dezembro, enquanto em França a previsão vai para que a distribuição comece no primeiro mês de 2021prevê iniciar a distribuição em janeiro. Em Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sanchez já veio indicar que vai ter 13 mil centros de vacinação, esperando ter grande parte da população vacinada até julho de 2021.

No caso português, a TAP está a tentar garantir “algumas parcerias e meios necessários, como sejam a contratação atempada e em quantidade adequada dos contentores de temperatura controlada e vai estar preparada para responder às necessidades de transporte de vacinas contra a Covid-19, de acordo com os requisitos publicados recentemente pela IATA”, garantiu fonte oficial da empresa ao site ECO.

Não perca informação: Subscreva as nossas Newsletters

Subscrever