“O futuro interessa-me muito mais do que o presente, porque é lá que eu pretendo viver”
Albert Einstein
O setor da logística está a reformular-se intensamente e inovações potencialmente disruptivas estão a começar a fazer o seu caminho. Ideias e conceitos em evolução estão a colocar novos desafios surpreendentes e, muitas vezes, colocam em causa o compromisso tradicional do progresso incremental. Como partes interessadas no setor da logística, todos nós teremos que avaliar as últimas tendências e avaliar o seu impacto potencial. Na verdade, essa pode ser a única maneira de manter a posição no mercado e assegurarmos que as necessidades dos nossos clientes / consumidores serão, de facto, integralmente satisfeitas.
O setor da logística é influenciado por muitas tendências sociais e económicas que estão a impulsionar os novos requisitos do futuro. Por outro lado, muitas novas tecnologias estão a emergir, cada uma delas colocando aos operadores logísticos novas e excitantes oportunidades de negócio. Claro que existem custos e riscos que devem ser estrategicamente balanceados e os tempos de resposta são também críticos neste novo ambiente. O cruzamento de ambas originará novas tendências e necessidades logísticas a que todos os stakeholders terão que dar resposta, mais cedo ou mais tarde.
Vejamos, sucintamente, algumas delas:
Super-Grid Logistics – Originará uma nova geração de empresas logísticas cujo foco central é a “orquestração” de redes globais de cadeias de abastecimento que integram fabricantes e operadores. Muitos serão capazes de aproveitar novas oportunidades de negócio – 4PL, empresas logísticas de nicho, ultra especializadas e mesmo pequenos operadores logísticos locais. Baseado em serviços modulares, flexíveis e configuráveis, o conceito de logística enquanto serviço introduz uma nova geração de modelos de negócio que afetarão todo o mercado logístico. As empresas globais focar-se-ão principalmente na integração de fluxos “cross-border”, serviços premium e na gestão e coordenação de operadores regionais e locais (coopetição), formando super redes globais.
Serviços em Tempo Real – Permitem uma adaptação flexível e eficiente às mudanças e à optimização ad-hoc das cadeias de abastecimento, integrando eventos em tempo real em ferramentas inteligentes de decisão analítica e interativa. Estes serviços podem proporcionar níveis de visibilidade e transparência ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Permitem ainda possibilidades de negócio adicionais, aumentam a eficiência operacional e a personalização dos serviços aos requisitos individuais dos clientes. Os serviços em tempo real disponibilizam informação cíclica e imediata que pode ser recebida, analisada e integrada a qualquer momento e em qualquer lugar.
Próxima Geração M2C – Manufacturer-to-customer reflete a realidade do estilo de vida digital: os clientes podem encomendar diretamente aos fabricantes, introduzindo novos requisitos no desenho e gestão das redes logísticas globais. O M2C introduz um novo modelo de negócio no qual o fabricante, ultrapassando os retalhistas, vende e entrega diretamente os seus produtos e serviços ao consumidor / utilizador final. A expansão das redes sociais e da web permitirá aos fabricantes o acesso e uma relação direta com os consumidores.
Logística Urbana – Em menos de cinco anos mais de metade da população mundial viverá em áreas urbanas. Mas já hoje os principais problemas logísticos das áreas urbanas são a densidade de tráfego e o impacto ambiental. Este facto, combinado com a crescente relevância do comércio eletrónico e da entrega domiciliária, exigem novas abordagens à logística urbana, tanto do ponto de vista da eficiência, como da sustentabilidade. Centros de Consolidação Urbana com soluções de agregação de cargas para destinatários numa área específica, repensar os sistemas de abastecimento às cidades englobando serviços logísticos e não logísticos, com uma utilização mais eficiente dos ativos que circulam em ambiente urbano, utilização logística de infraestruturas não logísticas (transportes públicos, parques de estacionamento), são exemplos de soluções que merecem um estudo mais aprofundado com o objetivo de impedir o caos físico e ambiental das cidades.
Marketplaces Logísticos – Num contexto de globalização e de crescimento dos estilos de vida digital, os marketplaces logísticos criam oportunidades para novos serviços que podem ultrapassar a segmentação geográfica e funcional, melhorando significativamente a eficiência dos custos logísticos e a utilização da capacidade instalada. Os Electronic Logistics Marketplaces (ELM) disponibilizam aos operadores logísticos e aos clientes serviços flexíveis desenhados para necessidades pontuais e específicas. Tanto nas relações B2B, M2C ou C2C os ELM representam a possibilidade de procura e oferta de serviços de transporte se encontrarem numa plataforma caracterizada pela comparabilidade das soluções disponíveis e pela transparência, permitindo excelentes resultados em termos de preço, disponibilidade, serviço, diminuição de espaço ocioso e kms em vazio.
“Logsumer” – Toda uma nova geração de consumidores logísticos – os “logsumer” – assumem agora uma parte ativa no processo de decisão relativamente ao tempo, preço, qualidade e aos aspetos “verde” e “justo” dos serviços logísticos. O “logsumer” não quer apenas decidir que produtos compra, mas também qual o operador logístico que os entregará. Hoje, os consumidores querem flexibilidade total sobre o tempo e a forma como compram e recebem os seus produtos, independentemente do canal que utilizam. À medida que o comércio eletrónico cresce, com utilização de mais sofisticados dispositivos móveis, é cada vez mais uma prática comum interrogar o preço, os detalhes do produto e a disponibilidade e utilizar os próprios dispositivos móveis para efetuar os pagamentos. A integração do valor acrescentado digital na logística torna-se crucial, já que os clientes esperam que a logística esteja ao mesmo nível de toda a experiência online.
Crowd Logistics – As redes sociais oferecem oportunidades de negócio para os operadores logísticos. Incluem-se aqui atividades de primeira e última milha de “crowdsourcing” por exemplo. A nova cultura de partilha, troca e revenda de artigos pessoais conduzirá ao incremento das atividades entre consumidores, especialmente a nível local, regional e nacional. Às empresas logísticas irá pedir-se que respondam a estas necessidades, oferecendo serviços simples e flexíveis de primeira e última milha, suavemente integrados na vida diária do consumidor / cliente.
Convenience Logistics – A Convenience Logistics responde aos requisitos da próxima geração de comércio eletrónico. Cobre todo o espectro de produtos, incluindo os produtos sensíveis e os que requerem cadeia de frio. A procura não para de crescer, especialmente na área da entrega domiciliária de produtos frescos e congelados utilizando redes standard. Esta necessidade exige o desenvolvimento e implementação de processos especiais de gestão da cadeia de frio, novos tipos de embalagem, locais alternativos de recolha e entrega e um novo tipo de embalagens mais “inteligentes”, reutilizáveis e recicláveis.
Redes Multiproduto – Métodos inovadores de transporte, soluções de embalagem inteligente e monitorização da cadeia de abastecimento em tempo real permitirão a utilização de redes standard já existentes para transportar produtos diferenciados. Desta forma, melhorará a taxa de utilização dos recursos, reduzir-se-ão os custos e a pegada de carbono e melhorarão os níveis de serviços aos clientes finais. Poder-se-ão integrar redes não logísticas já existentes (por exemplo transportes públicos) nas infraestruturas logísticas com benefícios para todos os intervenientes.
Near- & X-Shoring – Após a onda de offshoring da última década, mudanças nas condições económicas e sociais darão lugar a novas estratégias de sourcing, tais como o nearshoring, back-shoring e mesmo o x-shoring. Como alternativa à prática do offshoring, o nearshoring altera o local da produção para países vizinhos. O conceito de x-shoring proporciona métodos holísticos para rebalancear dinamicamente as redes logísticas, otimizando os critérios de decisão de onde comprar a cada momento.
Impressoras 3D – A impressão 3D (três dimensões) é uma tecnologia de produção disruptiva, camada a camada, produzindo objetos a três dimensões diretamente de um modelo digital. A impressão 3D já é aplicada extensivamente em protótipos, moldes, ferramentas, joias, implantes cirúrgicos, entre outros. O impacto da impressão 3D na logística vai ser massivo e transformará radicalmente a indústria logística se este tipo de produção substituir as técnicas tradicionais de produção. Atualmente as opiniões dos peritos dividem-se quanto ao impacto e à dimensão futura desta tecnologia. A verdade é que estamos a assistir aos primeiros passos da impressão 3D e os crescimentos são verdadeiramente alucinantes. O hardware ainda é caro e os materiais que podem ser “impressos” ainda são limitados. Mas, já é possível antever que a impressão 3D colocará à disposição de cada indivíduo a possibilidade de produzir produtos, qualquer que seja a sua localização, vendê-los e distribuí-los em qualquer parte do mundo.
Robótica e Automação – As tecnologias de robótica e automação contribuem para processos logísticos eficientes e permitem novos níveis de produtividade. As novas gerações de robots e soluções automatizadas, caracterizadas por um desempenho significativamente melhorado, oferecem sérias alternativas à movimentação manual. Devido à proliferação do comércio eletrónico, um número crescente de pequenas encomendas individuais têm que ser movimentadas em armazéns e centros de distribuição. As melhorias na performance dos robots, a sua velocidade e rigor repetitivo, o custo mais competitivo do reconhecimento dos objetos a três dimensões e uma melhor relação entre o custo e a performance conduzirão a uma utilização mais intensiva destas tecnologias em diferentes áreas operacionais.
A Nova Geração da Telemática será baseada em informação em tempo real sobre os envios, permitindo novas soluções para a gestão dinâmica de rotas e serviços de valor acrescentado tais como entregas flexíveis (por exemplo, telemática na saúde, segurança telemática, navegação metropolitana, etc.), que respondam aos desafios dos novos desenvolvimentos demográficos e urbanos. A telemática compreende a convergência de comunicações wireless, tecnologias de localização e eletrónica embarcada em veículos e está a ser usada para integrar os veículos em redes de informação inteligente. A gestão de ativos e de frota apoiam a monitorização dos veículos em tempo real, incluindo a posição, condições e propriedades dos veículos e carga, monitorização do consumo de combustível e comportamentos do condutor. Navegação dinâmica, controlo de tráfego e otimização de rotas facilitam a gestão de situações de exceção (por exemplo entregas canceladas, condições ambientais alteradas, avisos de emergência).
A Realidade Aumentada na Logística é definida pela relação e interatividade em tempo real entre o elemento virtual e os objetos físicos no mundo real. Esta tecnologia foi introduzida em 1990 no setor da manutenção e reparação da Boeing, disponibilizando aos trabalhadores um dispositivo digital que colocavam na cabeça e que os guiava através de ondas elétricas no avião. Hoje, a adoção da realidade aumentada está a expandir-se em vários setores (lojas, manutenção e reparação, turismo, educação, jogos, setor militar). Na logística a realidade aumentada proporciona benefícios significativos em diversas áreas. No planeamento logístico, operações e produção, permite modelação dinâmica de armazéns, simulações de fluxos, execução de operações de armazenagem tais como pick-by-vision com redução de erros e tempos de processamento.


