Transição energética

Estudo aponta que 98% das alegações ambientais no setor da carne e lacticínios são greenwashing

Estudo aponta que 98% das alegações ambientais no setor da carne e lacticínios são greenwashing iStock

Um estudo da Universidade de Miami conclui que até 98% das alegações ambientais feitas por empresas globais de carne e lacticínios podem ser classificadas como greenwashing.

Publicado na revista científica PLOS Climate, o estudo analisou 1.233 alegações ambientais divulgadas por 33 das maiores empresas do setor entre 2021 e 2024. Mais de dois terços (68%) destas declarações estavam relacionadas com questões climáticas, incluindo medidas de redução de emissões, enquanto 38% referiam objetivos futuros, como a neutralidade carbónica até 2030.

Segundo os autores, a maioria das alegações foi considerada não verificável, por se basear em intenções futuras sem evidência mensurável. Apenas 29% das declarações incluíam algum tipo de evidência fornecida pelas próprias empresas, sendo que apenas três foram suportadas por evidência científica independente.

“As empresas de carne e lacticínios falam muito sobre alterações climáticas, o que faz sentido porque os alimentos de origem animal geram mais emissões e outros impactos ambientais do que outros tipos de alimentos”, afirmou Jennifer Jacquet, coautora do estudo.

E continua: “mas quando grande parte do que dizem parece ser promessas vazias, sem suporte em evidência ou investimento, começa a assemelhar-se mais a um exercício de relações públicas do que a uma preocupação real com o planeta”.

O estudo indica ainda que 17 das 33 empresas analisadas tinham compromissos de neutralidade carbónica no momento da análise, face a quatro em 2020. No entanto, os investigadores referem que estes compromissos assentam maioritariamente em mecanismos de compensação de carbono, e não em reduções diretas de emissões.

Ao aplicar um modelo de análise de greenwashing, os investigadores classificaram 1.213 alegações, equivalentes a 98% do total, como práticas deste tipo.

“O greenwashing é generalizado nos relatórios de sustentabilidade das maiores empresas de carne e lacticínios do mundo, podendo criar uma ilusão de progresso climático”, afirmou Maya Bach, autora principal do estudo.

E continua: “estamos preocupados com o facto de estas alegações poderem induzir o público em erro, influenciar os consumidores e reduzir a pressão sobre os decisores políticos para a ação climática”.

Os autores alertam que este tipo de comunicação pode afetar a perceção dos consumidores e reduzir a pressão sobre decisores políticos para a implementação de medidas climáticas mais exigentes.

 

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