Transição energética

Portugal aumenta produção eólica, mas falha na aceleração de novos projetos

Quase 75% da eletricidade produzida em novembro teve origem em fontes renováveis iStock

Apesar de um ligeiro crescimento da capacidade instalada de energia eólica, Portugal continua “aquém” do necessário para alcançar as metas definidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030). É a conclusão de um novo relatório, intitulado “Parques Eólicos em Portugal”, da responsabilidade da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e do INEGI – Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial.

Segundo o relatório, no final de 2024, Portugal contava com 2.936 aerogeradores distribuídos por todo o território, responsáveis por gerar o equivalente a 27,5% da eletricidade consumida no país. A quase totalidade destes equipamentos está localizada no território continental, com o distrito de Viseu a destacar-se como o que possui a maior potência instalada em energia eólica.

O relatório comparou ainda a capacidade instalada em Portugal com a de outros países europeus, posicionando o país no 10.º lugar entre os analisados em termos de potência eólica instalada. A liderança cabe à Alemanha, que conta com 72,7 GW.

Em 2024, a produção de eletricidade a partir de energia eólica onshore em Portugal atingiu os 14,1 TWh, representando um crescimento de 9% face ao ano anterior.

De acordo com o relatório, a expansão do setor assenta, sobretudo, em intervenções nos parques eólicos já existentes, com destaque para projetos de sobreequipamento e reequipamento.

Para a APREN, os dados revelam um cenário preocupante, uma vez que a expansão da capacidade eólica em Portugal continua a assentar principalmente em intervenções em parques já existentes — como sobreequipamentos e reequipamentos — em vez da criação de novos parques, limitando o ritmo de crescimento necessário para cumprir as metas energéticas definidas.

No ano passado, foram instalados cerca de 70 MW de nova capacidade eólica em Portugal, dos quais cerca de metade resultam de projetos de sobreequipamento, ou seja, da modernização de equipamentos em parques já existentes. A nova potência remanescente continua a ser insuficiente para que o país consiga alcançar os objetivos definidos para 2030: 10,4 GW de eólica onshore e 2 GW de offshore.

Para Pedro Amaral Jorge, presidente da Direção da APREN, “as metas estabelecidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030 são ambiciosas e exigem um esforço concertado, não só no desenvolvimento dos projetos eólicos, mas também na capacidade de envolver a indústria nacional ao longo de toda a cadeia de valor”.

E continua: “para que Portugal possa alcançar os 12,4 GW que estão previstos para 2030, é fundamental que o Estado crie um quadro remuneratório que permita a viabilidade económico-financeira e “bancabilidade” dos centros electroprodutores eólicos, capaz de impulsionar os montantes de investimento necessários e assegurar a adequação das infraestruturas. Só assim poderemos transformar a energia eólica num verdadeiro motor económico e ambiental para o país”.

 

 

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