Dois terços dos profissionais de sustentabilidade confiam em normas de carbono certificadas, mas 46% consideram que é necessária uma maior clareza nas políticas para ampliar a sua aplicação em larga escala.
A conclusão é de um novo inquérito global da SE Advisory Services, o novo ramo de consultoria da Schneider Electric, que aponta uma mudança silenciosa, mas decisiva: os líderes empresariais e profissionais de sustentabilidade têm vindo a confiar nos créditos de carbono como ferramentas climáticas credíveis.
O relatório Carbon Credit Outlook 2025 revelou que dois terços das empresas já utilizam normas certificadas pela ICROA, enquanto 55% aplicam os Princípios Fundamentais de Carbono (CCPs) do Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM) para avaliar a qualidade dos projetos.
“Isto indica que as normas, os sistemas de verificação e as infraestruturas para créditos de carbono de elevada integridade estão solidamente estabelecidos”, lê-se na nota de imprensa.
Segundo a análise, o que antes era um mercado marcado pelo ceticismo, agora amadureceu, tornando-se mais estruturado e com intenção clara. As empresas estão confiantes, dispostas e com os recursos necessários para se envolverem.
Mesmo com a incerteza regulatória, 40% dos inquiridos afirmaram que as suas organizações já utilizam créditos de carbono para gerir riscos climáticos, fortalecer a resiliência da cadeia de abastecimento e criar valor a longo prazo.
Olhando para o futuro, 55% das empresas planeiam aumentar a sua participação no mercado voluntário de carbono até 2030, enquanto apenas 12% não incluem créditos de carbono na sua estratégia.
“Este aumento do envolvimento reflete uma mudança de perceção: os créditos de carbono estão a tornar-se investimentos estratégicos, e são utilizados para cumprir compromissos e metas climáticas e dar resposta às expectativas dos stakeholders”, sublinhou a nota de imprensa.
“Num contexto em que a descarbonização global exige investimentos sem precedentes – sendo que só os países em desenvolvimento necessitam de 1 bilião de dólares por ano até 2030 –, os créditos de carbono oferecem um mecanismo comprovado para as organizações apoiarem ações climáticas verificadas, ao mesmo tempo que constroem valor estratégico,” afirmou Mathilde Mignot, Group Director, Nature & Technology-Based Solutions da SE Advisory Services.
E continua: “algo fundamental está a mudar na forma como as empresas encaram os créditos de carbono. Quando quase um em cada cinco inquiridos está a desenvolver os seus próprios projetos, fica claro que o mercado está a ganhar dinamismo. Estas empresas reconhecem que terem a sua estratégia de carbono significa que podem controlar a sua narrativa climática”.
De acordo com o comunicado, as empresas estão a repensar os seus portefólios de carbono, equilibrando o impacto climático a curto prazo com a inovação a longo prazo.
- Os créditos de remoção baseados na natureza, como florestação, reflorestação e restauro de ecossistemas, continuam a ser uma prioridade, com 50% dos inquiridos a considerá-los os mais importantes.
- Os créditos de prevenção e redução, como a proteção florestal, energias renováveis e eficiência energética, ocupam o segundo lugar, com 34% dos inquiridos a priorizá-los em relação às remoções tecnológicas.
- Até agora, 16% dos inquiridos já priorizam créditos baseados em tecnologias de remoção, como a captura direta de carbono do ar (DAC), bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) e biocarvão.
Ainda assim, quase metade (46%) dos inquiridos aponta a falta de orientação sobre como integrar os créditos de carbono nas atuais estruturas climáticas como o maior obstáculo ao crescimento do seu envolvimento, seguida pela incerteza nas políticas governamentais (40%). De acordo com a SE Advisory Services, essas lacunas podem dificultar o investimento, apesar da “forte vontade” de ação por parte das empresas.
O Carbon Credit Outlook 2025 é baseado num inquérito anónimo com 14 perguntas, realizado ao longo de seis semanas e concluído em julho de 2025. Os inquiridos representaram cerca de 30 nacionalidades e uma ampla gama de setores, incluindo agricultura, indústria transformadora, banca, bens de consumo, engenharia, consultorias técnicas, indústria pesada, sociedades de advogados, consultoras e organizações do setor público.

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