Descarbonização

Alemanha quer definir 60 euros como preço mínimo no mercado de carbono

Alemanha quer definir 60 euros como preço mínimo no mercado de carbono

A Alemanha defende a definição de 60 euros por tonelada de CO2 como o preço mínimo no mercado de carbono europeu. No caso de a União Europeia (UE) não tomar medidas, o país já prometeu definir esse mínimo através de medidas nacionais, avança o portal Euractiv.

Esta decisão surge num momento em que as discussões em Bruxelas continuam sobre a revisão proposta para o Regime de Comércio de licenças de emissão da EU (RCLE). Muitos países, incluindo a Polónia, estão descontentes com o aumento rápido dos preços do carbono, acusando-os de aumentar o custo da energia. No caso polaco, pede-se uma “profunda reforma do RCLE, que tenha em conta a situação atual no mercado energético”.

O primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, falou ainda de “bolha especulativa”, uma posição apoiada pela Espanha, Hungria e outros países da Europa de Leste.

Por outro lado, a Alemanha considera que deve-se manter os preços elevados o suficiente para encorajar os investimentos privados nas tecnologias com baixa pegada carbónica.

Esta ideia é apoiada por empresas de retalho e de serviços de energia, como a Aldi, a Puma e a Siemens que, numa carta em 2017, defenderam que “para uma maior segurança dos investimentos, a Alemanha e a UE precisam de um desenvolvimento imediato do comércio de emissões com medidas de acompanhamento para um sinal de preço de CO2 relevante para o investimento”.

Mais recentemente, o inquérito realizado pela VKU, a associação de serviços públicos locais, concluiu que 69,4% dos serviços públicos locais viram a falta de planeamento e segurança de investimento como o maior obstáculo à transição energética da Alemanha. 56,3% dos deputados referiram a reforma da fixação dos preços do carbono como a sua principal prioridade para o Governo alemão.

Quanto a supostas especulações, o Governo alemão não expressou preocupações. “A Autoridade Europeia de Mercados de Valores Mobiliários (ESMA) investigou esta questão e não encontrou indícios de manipulação do mercado”, referiu o ministério do clima alemão.

Apesar disso, a posição não é transversal entre os políticos alemães. O relator principal da revisão do sistema no Parlamento Europeu, Peter Liese, disse que a questão da especulação tem de ser abordada.