Descarbonização

Governo pretende que mineração de lítio seja sustentável

extração de lítio

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes quer que a mineração de lítio seja sustentável e afirmou que a nova Lei das Minas “impõe” o uso das melhores práticas em todas as etapas do processo de mineração e que aumenta a participação pública das comunidades locais e associações ambientais, avança o portal Eco.

O responsável admitiu que as minas de lítio “mesmo sendo importantes empregadores locais, têm adquirido uma perceção social de gerarem incómodo insuportável e danos ambientais”, apesar de, na sua visão, “não haver caminho para a neutralidade de carbono sem tecnologias limpas e digitais, nem tecnologias limpas e digitais sem matérias-primas”.

Na abertura da conferência de alto nível sobre Green Mining, organizada pela presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, o governante defendeu que a mineração deve hoje ser sustentável e a União Europeia “pode alavancar a transição verde” no setor da exploração mineira em todo o mundo.

“Portugal já adotou um quadro para essa certificação e incentivamos a Comissão Europeia a apresentar uma proposta de harmonização dessas certificações à escala da União”, afirmou o responsável pela pasta do ambiente.  O green mining é, segundo o governante, uma pré-condição para uma cadeia de valor de baterias não poluentes.

Na mesma conferência, o diretor geral de Energia, João Bernando, assegurou que não vai existir prospeção de lítio em áreas protegidas, noticia a TVI. “Está em preparação um concurso público para a exploração do lítio, com procedimento prévio de avaliação ambiental estratégica. As áreas de concurso não incluirão parques naturais ou áreas da Rede Natura 2000″, afirmou o responsável.

Projeto em Boticas

A Savannah Resources, cujo projeto para extrair lítio em Boticas está agora em consulta pública, garantiu no evento que a Mina do Barroso foi projetada para ser um exemplo “Green and Smart” na prática de mineração. A empresa vai investir ainda 110 milhões de euros no projeto, dos quais, cerca de 11 milhões (10%) serão destinados à parte ambiental.

“Mais de 10% do investimento do projeto foi alocado a iniciativas ambientais específicas, para garantir a execução de uma estratégia de desenvolvimento sustentável e compatível com o território através da promoção da qualidade do ambiente e da qualidade de vida das populações locais. No total, existem cerca de 238 iniciativas individuais de mitigação planeadas”, refere o ceo, David Archer.

O projeto está a ser contestado pela população local que criou a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) para lutar contra a mina. O autarca do município, em declarações à Lusa, no passado mês, afirmou que o projeto mineiro “representa uma catástrofe” para o concelho e considerou que vai também contra o Património Agrícola Mundial, classificação atribuída ao Barroso pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O debate centra-se na mineração em céu aberto e as suas  consequências.