Descarbonização

Empresas petrolíferas anunciam princípios para a transição energética

Oito empresas do setor da energia – Galp, BP, Eni, Equinor, Occidental, Repsol, Royal Dutch Shell e Total – desenvolveram em conjunto e acordaram diversos princípios, com vista à transição energética. Esta ação enquadra-se na iniciativa “Climate Action 100+”, lançada em 2017, para assegurar que as maiores empresas emissoras de gases com efeito de estufa do mundo tomem as medidas necessárias em matéria de alterações climáticas.

“Responder ao desafio de enfrentar as alterações climáticas exige uma colaboração sem precedentes entre as empresas de energia, os governos, investidores e outras partes interessadas. Os princípios funcionarão como uma estrutura para as ações que as empresas energéticas líderes estão a desenvolver em conjunto, bem como uma plataforma de colaboração com grupos de stakeholders mais alargados”, afirmaram os CEO das empresas participantes.

Desta forma, as empresas petrolíferas querem ser parte da solução e não só do problema, ajudando à concretização dos objetivos do Acordo de Paris, através da redução das emissões de gases com efeito de estufa e dos sumidouros de carbono.

“A partir desta colaboração, as empresas pretendem promover uma maior consistência e transparência no reporte das emissões de gases com efeito de estufa, bem como na medição das emissões que possam ocorrer em diferentes pontos da cadeia de valor”, disseram as empresas em comunicado conjunto.

Os seis princípios, acordados e assumidos pelas oito petrolíferas são:

1. Apoio público aos objetivos do Acordo de Paris: apoiar publicamente os objetivos do Acordo de Paris, incluindo a cooperação internacional como veículo para assegurar que estes objetivos possam ser alcançados com os menores custos globais para a economia.

2. Descarbonização da indústria: de acordo com a estratégia, ambições e objetivos individuais de cada empresa, trabalhar para reduzir as emissões das suas próprias operações e esforçarem-se por reduzir as emissões resultantes do consumo da energia, em conjunto com os seus clientes e com a sociedade. As empresas podem medir as suas contribuições com recurso à intensidade carbónica e/ou a métricas absolutas em diferentes pontos da cadeia de valor, conforme determinado pela sua abordagem.

3. Colaboração do sistema energético: colaborar com os stakeholders, incluindo os consumidores de energia, investidores e governos para desenvolver e promover abordagens que contribuam para a redução de emissões resultantes da utilização de energia, apoiando ospaíses em que operam a cumprirem as suas Contribuições Determinadas a Nível Nacional (CND) para alcançarem os objetivos do Acordo de Paris.

4. Desenvolvimento de sumidouros de carbono: continuar a apoiar e promover o desenvolvimento de sumidouros de emissões, tais como as tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) e os sumidouros naturais.

5. Transparência: divulgar informação relacionada com os riscos e oportunidades decorrentes das alterações climáticas de forma consistente com os objetivos das recomendações do Grupo de Trabalho sobre o Reporte Financeiro relacionado com o Clima (TCFD).

6. Indústria e associações setoriais: divulgar informação sobre a sua participação nos principais fóruns e associações de indústria e o seu alinhamento com as principais posições e políticas de defesa do clima das empresas.

Para Adam Matthews, presidente do grupo de trabalho Climate Action 100+, este compromisso “representa uma consolidação significativa dos progressos realizados na Europa e ao mesmo tempo vemos a primeira empresa de petróleo e gás norte-americana a juntar-se aos seus pares europeus”.

“Como investidores CA100+, mantemos um diálogo extenso e detalhado com o setor do petróleo e gás e é extremamente útil termos uma posição destas empresas unificada em torno de princípios fundamentais, incluindo sobre as emissões de âmbito 3 e lobbying empresarial, entre outros”, acrescenta o responsável.

Por seu lado, Anne Simpson, administradora da Climate Action 100+ pela CalPERs, afirmou: “Congratulamo-nos com os Princípios de Transição Energética que centram a atenção da indústria não apenas no que cada empresa precisa de fazer sozinha, mas também no que todas devem fazer em conjunto. Este trabalho intersectorial será vital para alcançar o objetivo de emissões líquidas zero na economia real até 2050 ou mais cedo”.