Governance

Empresas com práticas sustentáveis destacam-se em auditorias exigentes, diz estudo

Empresas com práticas sustentáveis destacam-se em auditorias exigentes, diz estudo iStock

Empresas com práticas de sustentabilidade mais robustas apresentam um desempenho superior ao das suas congéneres quando sujeitas a padrões rigorosos de auditoria, concluiu um novo estudo da Universidade de Nagoya, no Japão.

O estudo, publicado na revista Managerial Auditing Journal, analisou a relação entre a adoção dos key audit matters (KAMs) e as práticas de sustentabilidade das empresas, avaliando de que forma esta informação reforça a transparência para os investidores.

Em 2015, o International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB) recomendou que as empresas passassem a comunicar os denominados key audit matters (KAMs), com o objetivo de fornecer aos investidores informação mais clara sobre os riscos potenciais.

No Japão, as empresas cotadas puderam adotar este modelo de reporte de forma voluntária a partir de 2019, antes de a medida se tornar obrigatória em 2020, criando um “experimento natural” que permitiu aos investigadores analisar as empresas que optaram pela adoção antecipada e a reação dos mercados.

“Não é possível comprar credibilidade apenas pagando auditorias dispendiosas”, afirmou Hu Dan Semba, coautor do estudo e professor associado da Faculdade de Economia da Universidade de Nagoya. E continua: “mas quando uma empresa demonstra um compromisso real com práticas de sustentabilidade, o investimento em auditorias mais transparentes reforça essa credibilidade — e os mercados recompensam-na”.

A equipa de investigação analisou dados de 1.065 empresas japonesas entre 2009 e 2023 e concluiu que apenas um número reduzido de empresas não financeiras adotou voluntariamente os novos requisitos de divulgação em auditoria, antes de estes se tornarem obrigatórios.

Como concluiu o estudo, estas empresas que adotaram a prática de forma antecipada apresentavam, em geral, classificações ESG mais elevadas, “demonstrando o seu interesse em sinalizar a sua qualidade subjacente”, como referiu Hu Dan Semba.

“O mercado parece encarar as práticas ESG e a divulgação dos KAMs como uma espécie de autenticação em dois fatores”, acrescentou o coautor. E continua: “quando empresas com práticas de sustentabilidade genuínas investem fortemente em auditorias transparentes, os investidores interpretam isso como um sinal credível de solidez organizacional”.

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