Logitrans 2012: logística inversa sincronização é a palavra-chave

Logitrans 2012: logística inversa sincronização é a palavra-chave

Melhor seria que não existissem devoluções ou resíduos. Mas há. Para gerir da melhor forma estes “males necessários”, existe a logística inversa. Lembrou António Cameirão Jorge, diretor da APLOG – Associação Portuguesa de Logística, durante o primeiro dia do Logitrans – Salão Profissional de Logística, Transportes, Equipamentos e Armazéns. 

O responsável acrescentou ainda que “a gestão da logística inversa em Portugal, e na Europa, tende a utilizar o sistema logístico de aprovisionamento para tratar as recolhas”.

Já no mercado norte-americano, os sistemas logísticos de aprovisionamento são muito diferentes dos de apoio à logística inversa, em muito devido às grande distâncias geográficas entre as unidades de produção e os centros de distribuição. Aqui, tende-se à concentração de grandes quantidades recolhidas e ao seu tratamento integrado, feito por operadores diferentes dos que asseguram o aprovisionamento.

Por sua vez, a logística inversa dos resíduos implica um modelo de organização diferente. Ao contrário do que acontece com as devoluções, já não se trata de produtos que “andam na mesma cadeia em sentido contrário”, mas de materiais que seguem um circuito diferente e que se destinam a fileiras de reciclagem geridas por entidades diferentes dos fornecedores e clientes, sendo normalmente o processo gerido por transportadores devidamente credenciados.

Na mesa redonda sobre logística inversa, três fornecedores “tradicionais” – Bonduelle, Sumol+Compal e L’Oreal explicaram o funcionamento do processo implementado nas suas empresas. A estas experiências juntou-se a da Pixmania, onde o processo de logística inversa decorre de devoluções de vendas feitas online, e o destinatário é o cliente final.

Como realçou Carlos Fernandes, gestor de distribuição e armazéns da Sumol+Compal, na logística inversa “a palavra-chave é a sincronização”. O levantamento de embalagens de tara retornável é planeado de forma sincronizada com o planeamento do abastecimento, o que exige coordenação de informação e da força de vendas e automatização.

Na L’Óreal, que trabalha com uma única transportadora para o circuito das devoluções, os protetores solares são os produtos mais relevantes. Implicam a recolha em mil pontos de venda. Para reduzir os litígios com os clientes, relacionados com a conferência dos artigos a devolver, esta passou a ser feita diretamente no armazém dos clientes, “com bons resultados”, segundo afirmou Gonçalo Cordeiro, diretor logístico.

Desde há três anos, a Bonduelle Portugal trabalha com dois operadores logísticos, que conjugam as entregas com as recolhas das devoluções. É feita sempre a avaliação dos custos da recolha face ao valor do próprio produto recolhido e, com base nessa análise, é estabelecido acordo com os clientes, afirmou Maria Sá Nogueira, responsável de logística. A gestão dos resíduos originados pela parte industrial é feita pela própria Bonduelle, com o objetivo de garantir o mínimo impacto ambiental.

Já na Pixmania a gestão das devoluções é planificada de acordo com a legislação de cada país. A sazonalidade assume um peso relevante: Verão e Natal representam até 40% das vendas e, naturalmente, o aumento de vendas é acompanhado pela subida das devoluções. O que obriga a recolhas diárias nestes períodos, ao invés de três vezes por semana. Esta empresa lançou em França um novo sistema de recolhas, através de lojas parceiras que recebem os produtos devolvidos.

O Logitrans decorre entre os dias 17 e 18 de abril no Centro de Congressos do Estoril.

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