Janeiro foi o mês mais quente, a nível mundial, desde que há registo no planeta, tendo a temperatura média do ar sido de 13,23 graus Celsius, ultrapassado em 1,75 graus as temperaturas pré-industriais. A conclusão é do Copérnico, serviço de observação da Terra da União Europeia (UE).
Nos últimos 19 meses, janeiro de 2025 foi o 18.º mês em que a temperatura média global esteve 1,5 graus acima dos valores pré-industriais. Segundo o Acordo de Paris, os líderes mundiais comprometeram-se a que as temperaturas mundiais não subissem mais de 1,5 graus.
No leste da Europa, as temperaturas atingiram os níveis mais altos. Já na Islândia, Reino Unido, Irlanda e norte de França, as temperaturas registaram números mais baixos.
De acordo com Damantha Burgess, cientista principal do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), uma das entidades participantes no Copérnico, “janeiro de 2025 é outro mês surpreendente, em que as temperaturas continuaram a bater recordes, estes que se têm vindo a observar nos últimos dois anos…”.
Os cientistas previam que este período fosse excecional e as temperaturas diminuíssem depois da passagem do fenómeno El Niño, ciclo natural de aquecimento, ter atingido o seu pico em janeiro de 2024 e as condições estarem agora a desenrolar-se face ao La Niña, que tem um efeito de arrefecimento relativamente às temperaturas globais.
Para Julien Nicolas, cientista climático do Copernicus, citado na Agence France-Presse, “isto é o que torna tudo numa surpresa para nós: não estamos a ver este efeito de arrefecimento ou, pelo menos, uma pausa temporária por causa dele na subida das temperaturas globais”.
No mês passado, o Copernicus revelou que as temperaturas globais médias em 2023 e 2024 ultrapassaram, pela primeira vez, os 1,5 graus, tendo-se afirmado como um sinal de que o limite acordado no Acordo de Paris está a ser testado.
Já o gelo do Ártico atingiu o valor mais baixo para o mês de janeiro, fixando-se em 5% inferior à média. As temperaturas da superfície do mar foram “excecionalmente quentes” em 2023 e 2024, com o Copernicus a revelar que as leituras em janeiro foram as segundas mais altas já registadas.
O serviço europeu também referiu que se registou “um nível invulgarmente elevado no mês passado e, para travar o aquecimento, são necessárias reduções rápidas das emissões de gases com efeito de estufa”.
Os cientistas são unânimes ao dizerem que a utilização de combustíveis fósseis tem impulsionado o aquecimento global a longo prazo e que a variabilidade climática natural também pode influenciar as temperaturas de um ano para o outro.
2024 foi o ano mais quente já registado no planeta. Limite de 1,5ºC ultrapassado

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