Oceanos

Estudo diz que Governos falham na proteção da biodiversidade marinha

Estudo diz que Governos falham na proteção da biodiversidade marinha iStock

Um novo estudo, que analisou as 100 maiores Áreas Marinhas Protegidas (AMP) do mundo, publicado na Conservation Letters, revelou que os Governos estão a falhar nos compromissos de proteção eficaz da biodiversidade marinha devido à implementação de estratégias lentas de gestão e à incapacidade de restringir as atividades mais impactantes.

O estudo, intitulado “Ocean protection quality is lagging behind quantity: Applying a scientific framework to assess real marine protected area progress against the 30 by 30 target”, foi conduzida por uma equipa internacional de 11 investigadores, entre eles Emanuel Gonçalves, Professor do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA) e investigador do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e Bárbara Horta e Costa, investigadora no Centro de Ciências do Mar (CCMAR), no Algarve.

A investigação analisou a eficácia das 100 maiores áreas do mundo, que representam 90% do total da área marinha protegida a nível mundial, concluindo que um terço das AMPs permite atividades prejudiciais no âmbito industrial.

“Algumas AMPs permitem atividades como a exploração de petróleo e gás, pesca industrial ou aquicultura, enquanto outras são altamente protegidas. Esta incompatibilidade entre os objetivos declarados de uma AMP e a probabilidade de alcançar os resultados propostos levanta preocupações sobre a eficácia destas áreas protegidas”, refere o comunicado de imprensa.

“As AMPs podem trazer benefícios significativos às pessoas, à natureza e ao planeta, mas, infelizmente, vemos grandes lacunas entre a quantidade de oceano coberto pelas AMPs e a força dessas proteções”, afirmou Beth Pike, do Marine Conservation Institute, nos Estados Unidos da América (EUA), avançando que não é só a quantidade que conta, mas sim a qualidade, de forma que seja alcançada a meta de proteger, pelo menos, 30% do oceano até 2030 (meta estabelecida por um acordo internacional das Nações Unidas).

“Sem regulamentação ou gestão, estas áreas não são diferentes das águas circundantes e não podem proporcionar benefícios de conservação”, lê-se na nota de imprensa.

Já Emanuel Gonçalves, salienta que “este estudo mostra que uma grande proporção da área que deveria ser protegida no oceano está, de facto, ainda aberta a algumas das atividades mais impactantes e/ou não regulamentadas nem implementadas. Apesar dos avanços nos compromissos e nas intenções, a proteção real e eficaz do oceano ainda está muito aquém do que esses compromissos exigem”.

E continua: “isto significa que precisamos de corrigir o que existe e também que precisamos de fazer diferente no futuro, nomeadamente trazendo os padrões internacionais da The International Union for Conservation of Nature e do Guia de AMP para implementar redes de áreas protegidas com a escala, a velocidade e o impacto necessários para proteger o que resta e recuperar o que perdemos devido à sobre exploração e outros impactos no oceano”.

Segundo Bárbara Horta e Costa, “nem todas as AMP são iguais. Este estudo permite uma melhor compreensão da qualidade das AMP, pois ter a maior AMP não significa ter uma área marinha protegida eficaz. O público e os decisores políticos precisam de compreender melhor o que isto significa. Este estudo é fundamental para informar que tipos de AMP existem e as que realmente contribuem para a saúde dos oceanos”.

Atualmente, a base de dados mundial sobre as Áreas Protegidas inclui uma lista de mais de 18.000 zonas, que cobrem 30 milhões de quilómetros quadrados (ou cerca de 8%) do oceano global. As 100 maiores AMPs representam a maior parte deste total – cerca de 26,3 milhões de quilómetros quadrados (ou cerca de 7,3%) do oceano global.

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