Definir a estratégia de sustentabilidade do Grupo Ageas Portugal é, mais do que um exercício conceptual, um processo exigente de alinhamento entre ambição e execução, num contexto marcado por transformações profundas – económicas, sociais e ambientais – que desafiam o setor segurador a reinventar o seu papel na sociedade.
A estratégia agora definida, e que vigorará para o horizonte até 2027, assenta primeiramente na base sólida construída ao longo de vários anos. Foi desenvolvida sobre o exercício da dupla materialidade, alinhada com o plano estratégico internacional e das operações locais, garantindo consistência entre prioridades e ambições de longo prazo.
Encontra-se, por isso, estruturada em torno de três ambições centrais – contribuir para uma Sociedade mais saudável, mais inclusiva e mais resiliente – materializadas em áreas prioritárias como saúde e longevidade, inclusão financeira, experiência de Cliente inclusiva, alterações climáticas, direitos humanos e investimento responsável. Estas prioridades refletem não apenas tendências globais, mas também o papel específico que o setor segurador pode e deve desempenhar na resposta aos desafios da atualidade.
Mas o verdadeiro valor deste exercício reside, no entanto, na forma como foi construído: de dentro para fora.
Ouvimos as nossas Pessoas, analisámos os processos operacionais e identificámos onde a sustentabilidade pode gerar mais valor real. Ao envolver as equipas que lidam diariamente com a proteção e o investimento, garantimos que os compromissos assumidos não são apenas metas abstratas, mas soluções que respondem aos desafios demográficos e sociais de Portugal, como o foco crescente no segmento sénior e na saúde preventiva.
Ao assegurar que a estratégia reflete as prioridades reais do negócio e das equipas que a irão implementar, aumentamos a sua relevância e a capacidade de execução. A sustentabilidade deixa de ser percecionada como uma agenda paralela, passando a ser um instrumento ao serviço da criação de valor e da gestão de risco, com impacto direto na atividade.

A ambição para os próximos anos é evoluir desta abordagem para a plena implementação do conceito de Sustainable by Design. Este princípio inspira-se no que o setor já viveu com a proteção de dados e privacidade, ou com a transformação digital. Tal como a segurança de dados deixou de ser um controlo externo para passar a estar embebida nos sistemas, a sustentabilidade deve estar integrada desde a génese de cada novo produto, serviço ou projeto.
Esta abordagem implica uma mudança cultural e operacional: antecipar, em vez de corrigir; integrar, em vez de adicionar; colaborar, em vez de atuar em silos. Significa garantir que, sempre que um produto é desenvolvido, um processo é revisto ou uma decisão é tomada, existe uma lente de sustentabilidade aplicada desde o início. Significa posicionar os especialistas de sustentabilidade simultaneamente com uma função de suporte e desafio. E significa também dotar as restantes equipas das competências e ferramentas necessárias para incorporar estes princípios de forma consistente.
No Grupo Ageas Portugal trabalhamos para que a sustentabilidade não exista à margem do negócio. Pelo contrário, acreditamos que é um elemento estruturante, profundamente integrado nas decisões, modelos operacionais e propostas de valor. Não queremos que a sustentabilidade seja algo que as nossas equipas têm de fazer ‘além’ do seu trabalho, queremos que seja ‘a forma’ como fazem o seu trabalho.
“Não queremos que a sustentabilidade seja algo que as nossas equipas têm de fazer ‘além’ do seu trabalho, queremos que seja ‘a forma’ como fazem o seu trabalho.”
Esta visão ganha ainda maior relevância num contexto externo cada vez mais exigente e imprevisível, marcado pela intensificação dos riscos climáticos, pelas transições tecnológicas aceleradas e por novas expetativas sociais. Neste cenário, o setor segurador assume um papel determinante enquanto agente de estabilidade, proteção e confiança. Integrar a sustentabilidade no core do negócio não é, por isso, apenas uma opção estratégica – é uma necessidade para garantir relevância e resiliência no futuro.
É precisamente este o salto qualitativo que pretendemos dar até 2027: tornar a sustentabilidade invisível por estar plenamente integrada, mas omnipresente nos seus resultados.
Por Inês Martins Rodrigues
(Diretora de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos do Grupo Ageas Portugal)

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