Biodiversidade

Estudo português alerta para impactos ambientais de metais da platina nos ecossistemas aquáticos

Estudo português alerta para impactos ambientais de metais da platina nos ecossistemas aquáticos iStock

Um estudo recente da Universidade de Aveiro alertou para os impactos ambientais dos metais do grupo da platina (platina, paládio e ródio), contaminantes emergentes cada vez mais detetados nos ecossistemas aquáticos devido à sua libertação contínua a partir de catalisadores automóveis, processos industriais e aplicações médicas.

Apesar da sua presença crescente no ambiente, os efeitos biológicos destes metais, sobretudo em mistura, continuam pouco conhecidos. Para responder a essa lacuna, investigadores dos Departamentos de Biologia e Química da Universidade de Aveiro, em colaboração com o CESAM e o LAQV-REQUIMTE, estudaram os efeitos isolados e combinados da platina, do paládio e do ródio no mexilhão Mytilus galloprovincialis, uma espécie sentinela amplamente usada na monitorização ambiental.

De acordo com a comunicação da Universidade, ao longo de 28 dias, os mexilhões foram expostos a concentrações ambientalmente relevantes de cada metal em separado, bem como a misturas binárias e ternárias. Os investigadores analisaram vários biomarcadores ligados ao metabolismo energético, às defesas antioxidantes, aos mecanismos de detoxificação e aos danos celulares, permitindo uma avaliação detalhada das respostas biológicas.

Os resultados do estudo mostraram que os efeitos variam consoante o metal e a concentração. A platina, sobretudo em baixas concentrações, estimulou o metabolismo energético e ativou mecanismos antioxidantes e de detoxificação.

O paládio, em concentrações mais elevadas, afetou as reservas energéticas e a eficiência metabólica. Já o ródio destacou-se pela capacidade de provocar danos oxidativos significativos em lípidos e proteínas.

Quando os metais foram testados em mistura, os efeitos revelaram-se mais complexos e menos previsíveis. As combinações de platina com paládio e de platina com ródio mostraram sobretudo respostas sinérgicas, especialmente no metabolismo e nos mecanismos de detoxificação celular.

A mistura de paládio com ródio apresentou maioritariamente efeitos aditivos. Já a exposição simultânea aos três metais revelou um padrão diferente, com respostas sobretudo aditivas e alguns efeitos antagónicos em biomarcadores antioxidantes e de oxidação proteica.

Segundo a comunicação, este trabalho está entre as primeiras avaliações mecanísticas detalhadas sobre os efeitos combinados dos metais do grupo da platina em organismos marinhos.

Além disso, a equipa de investigação enfatizou que os resultados reforçam a importância de incluir misturas de contaminantes e exposições crónicas a baixas concentrações na avaliação de risco ambiental, sublinhando a preocupação crescente com o impacto ecológico destes metais nos ecossistemas costeiros.

 

 

 

 

 

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