Um estudo recente da Universidade de Aveiro alertou para os impactos ambientais dos metais do grupo da platina (platina, paládio e ródio), contaminantes emergentes cada vez mais detetados nos ecossistemas aquáticos devido à sua libertação contínua a partir de catalisadores automóveis, processos industriais e aplicações médicas.
Apesar da sua presença crescente no ambiente, os efeitos biológicos destes metais, sobretudo em mistura, continuam pouco conhecidos. Para responder a essa lacuna, investigadores dos Departamentos de Biologia e Química da Universidade de Aveiro, em colaboração com o CESAM e o LAQV-REQUIMTE, estudaram os efeitos isolados e combinados da platina, do paládio e do ródio no mexilhão Mytilus galloprovincialis, uma espécie sentinela amplamente usada na monitorização ambiental.
De acordo com a comunicação da Universidade, ao longo de 28 dias, os mexilhões foram expostos a concentrações ambientalmente relevantes de cada metal em separado, bem como a misturas binárias e ternárias. Os investigadores analisaram vários biomarcadores ligados ao metabolismo energético, às defesas antioxidantes, aos mecanismos de detoxificação e aos danos celulares, permitindo uma avaliação detalhada das respostas biológicas.
Os resultados do estudo mostraram que os efeitos variam consoante o metal e a concentração. A platina, sobretudo em baixas concentrações, estimulou o metabolismo energético e ativou mecanismos antioxidantes e de detoxificação.
O paládio, em concentrações mais elevadas, afetou as reservas energéticas e a eficiência metabólica. Já o ródio destacou-se pela capacidade de provocar danos oxidativos significativos em lípidos e proteínas.
Quando os metais foram testados em mistura, os efeitos revelaram-se mais complexos e menos previsíveis. As combinações de platina com paládio e de platina com ródio mostraram sobretudo respostas sinérgicas, especialmente no metabolismo e nos mecanismos de detoxificação celular.
A mistura de paládio com ródio apresentou maioritariamente efeitos aditivos. Já a exposição simultânea aos três metais revelou um padrão diferente, com respostas sobretudo aditivas e alguns efeitos antagónicos em biomarcadores antioxidantes e de oxidação proteica.
Segundo a comunicação, este trabalho está entre as primeiras avaliações mecanísticas detalhadas sobre os efeitos combinados dos metais do grupo da platina em organismos marinhos.
Além disso, a equipa de investigação enfatizou que os resultados reforçam a importância de incluir misturas de contaminantes e exposições crónicas a baixas concentrações na avaliação de risco ambiental, sublinhando a preocupação crescente com o impacto ecológico destes metais nos ecossistemas costeiros.

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