Transição energética

ONU alerta que dependência fóssil agrava vulnerabilidade energética da Europa

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A dependência europeia dos combustíveis fósseis está a expor a Europa a novas crises energéticas, numa altura em que os preços da eletricidade e do gás voltaram a disparar com o agravamento da guerra no Irão.

O alerta foi lançado por Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), no arranque da Green Growth Summit, em Bruxelas, onde defendeu um reforço da aposta nas energias renováveis como resposta à volatilidade dos mercados e à vulnerabilidade associada às importações de energia.

Segundo o responsável, a instabilidade atual mostra como os países que continuam dependentes de combustíveis importados do Médio Oriente ficam mais expostos a choques externos, num contexto em que os ataques do Irão a navios comerciais no Estreito de Ormuz têm pressionado a oferta global de petróleo.

Simon Stiell sublinhou ainda que, apesar de as renováveis terem ultrapassado os combustíveis fósseis no ano passado, a Europa continua mais dependente das importações fósseis do que quase qualquer outra grande economia. Espanha surge no texto como exemplo de maior resiliência, graças ao reforço do investimento em energia verde desde 2019, que permitiu duplicar a capacidade eólica e solar e reduzir a exposição do preço da eletricidade às oscilações do gás.

O encontro de Bruxelas reuniu ministros europeus do clima e do ambiente, empresas, investidores e outros intervenientes, com o objetivo de acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Ao mesmo tempo, regressou o receio de que a Europa repita a resposta dada após a invasão russa da Ucrânia em 2022, quando vários países procuraram assegurar novos fornecimentos fósseis, reabriram centrais a carvão e assinaram contratos de longo prazo para gás natural liquefeito.

Para Simon Stiell, insistir nessa via seria um erro. “Algumas respostas à crise dos combustíveis fósseis, de forma inacreditável, defendem redobrar a aposta precisamente na causa do problema e travar a transição para as energias renováveis. Quando é evidente que esta solução é mais barata, mais segura e chega mais depressa ao mercado. Isto é completamente delirante”.

A pressão sobre os preços intensificou-se nas últimas semanas, com o petróleo a atingir os 100 dólares por barril, levando dezenas de países, incluindo a maioria da Europa, a libertarem 400 milhões de barris das reservas de emergência, um volume que equivale apenas a cerca de quatro dias de abastecimento mundial.

Além da estabilidade dos preços, Simon Stiell aponta benefícios adicionais da transição energética, como a redução dos fenómenos meteorológicos extremos, a melhoria da saúde pública e a criação de emprego.

O responsável defende ainda que a ação climática responde também a preocupações económicas e sociais. “A dependência passiva das importações de combustíveis fósseis condenará a Europa a passar de crise em crise, com famílias e indústrias a suportarem diretamente essa fatura”, afirmou Simon Stiell.

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