A Emirates Biotech juntou-se ao consórcio europeu CIRCLE, um projeto financiado no âmbito do programa Horizon Europe, que quer demonstrar como uma biorrefinaria industrial é capaz de transformar resíduos alimentares orgânicos em químicos de base biológica de elevado valor, incluindo ácido polilático (PLA).
De acordo com o comunicado de imprensa, anunciada no Dubai, no passado dia 12 de março, a entrada da empresa no consórcio reforça uma iniciativa com duração de quatro anos, dotada de 27 milhões de euros e composta por 17 parceiros de toda a cadeia de valor.
O objetivo passa por criar uma solução industrial pioneira para converter desperdício alimentar em materiais sustentáveis com aplicação em vários setores.
No âmbito deste projeto, a Emirates Biotech ficará responsável pela polimerização do ácido láctico obtido a partir de resíduos alimentares. A empresa irá produzir PLA de elevada pureza, que será depois fornecido a outros membros do consórcio para avaliação e desenvolvimento de aplicações. Entre os mercados-alvo estão a indústria automóvel, a cosmética e as embalagens alimentares.
Segundo a nota de imprensa, o projeto pretende também demonstrar que tanto o ácido láctico como o PLA podem ser produzidos a partir de resíduos alimentares dentro de uma unidade de gestão de resíduos, contribuindo para reduzir a pegada carbónica associada à produção de materiais.
“Demonstrar que conseguimos obter biopolímeros de alto desempenho diretamente a partir de resíduos alimentares representa um avanço significativo para a indústria”, afirmou François de Bie, diretor comercial da Emirates Biotech.
E continua: “a procura por materiais sustentáveis está a crescer rapidamente em setores como o automóvel e o cosmético. O nosso papel no projeto CIRCLE é converter o ácido láctico de grau polimérico produzido pelos nossos parceiros em PLA de grau comercial, que cumpra esses requisitos e possa ser utilizado nos processos industriais existentes”.
O consórcio CIRCLE junta empresas de gestão de resíduos, fornecedores de tecnologia química e grandes marcas de consumo. A coordenação está a cargo da TripleW e entre os parceiros encontram-se nomes como Volkswagen, FrieslandCampina, Davines, Sulzer e Sulapac.
A comunicação enfatizou ainda que o grupo já alcançou um marco relevante em setembro de 2025, quando foi produzido o primeiro PLA à escala laboratorial inteiramente feito a partir de resíduos alimentares.
A participação da Emirates Biotech deverá agora ajudar a acelerar a passagem desse desenvolvimento para a produção industrial e para aplicações comerciais.
De acordo com o comunicado, esse avanço está também alinhado com os planos da empresa para a entrada em funcionamento, em 2028, da sua fábrica de PLA com capacidade de 80 mil toneladas por ano.


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