De acordo com os resultados de um inquérito do Banco Europeu de Investimentos (BEI), divulgados hoje, dia 8 de julho, os portugueses são dos cidadãos da União Europeia (UE) mais informados sobre as consequências das alterações climáticas.
Segundo o questionário, que se centrou nas definições e causas, consequências e soluções para as alterações climáticas, embora os inquiridos portugueses demonstrem compreender as causas e as consequências desta problemática, o seu conhecimento das soluções é menor, uma conclusão que está em consonância com os resultados obtidos em toda a Europa.
De acordo com a análise, uma grande parte dos inquiridos portugueses não sabe que a redução dos limites de velocidade nas estradas (79%) ou um melhor isolamento dos edifícios (63%) podem ajudar a combater as alterações climáticas.
No que se refere à definição de alterações climáticas, a maioria dos inquiridos portugueses (71%) selecionou a definição correta («uma mudança a longo prazo nos padrões climáticos globais»), enquanto 3% acreditam que as alterações climáticas são um embuste.
Mais de três quartos (79%) também não têm dúvidas de que as principais causas das alterações climáticas são as atividades humanas. Já menos de um quarto dos inquiridos pensam o contrário, com 12% a acreditar que as alterações climáticas são causadas por fenómenos naturais extremos, tais como erupções vulcânicas e ondas de calor, enquanto 9% acreditam que são causadas pelo buraco na camada de ozono.
Segundo o estudo do BEI, a maioria dos inquiridos portugueses (80%) identificou corretamente os Estados Unidos da América (EUA), a China e a Índia como os maiores emissores de gases com efeito de estufa (GEE) a nível mundial.
Quando questionados sobre as consequências das alterações climáticas, os portugueses obtiveram uma pontuação de 8,67 em 10, bastante acima da média europeia de 7,65 em 10.
Assim, 93% dos inquiridos referiram que as alterações climáticas têm um impacto negativo na saúde humana e 91% também mencionaram corretamente que as alterações climáticas estão a agravar a fome no mundo.
A subida do nível do mar é reconhecida por 85% dos inquiridos portugueses, com apenas 6% a acreditar que está a diminuir e 9% a afirmar que as alterações climáticas não têm um impacto específico no nível do mar.
De acordo com a análise, mais de três quartos (79%) dos inquiridos consideram que as alterações climáticas contribuem para a migração global devido a deslocações forçadas.
No que respeita às soluções para as alterações climáticas, os inquiridos portugueses (pontuação de 4,40 em 10 face a 4,25 de média da UE) revelaram um menor conhecimento do que o demonstrado nas outras duas vertentes.
Os resultados do inquérito revelam que 82% dos inquiridos (10 pontos acima da média da UE) sabem que a utilização de produtos passíveis de reciclagem pode ajudar a atenuar as alterações climáticas.
77% mencionaram corretamente que a utilização de transportes públicos em vez de automóveis particulares está no caminho certo e apenas 37% consideraram que um melhor isolamento dos edifícios ou a compra menos frequente de roupa nova (37%) também podem ajudar.
Alguns inquiridos (21%) estão cientes de que a redução dos limites de velocidade nas estradas pode ajudar a atenuar as alterações climáticas e a maioria não tem conhecimento da existência de emissões significativas de CO2 relacionadas com a utilização das tecnologias digitais, sendo que apenas 3% sabem que ver menos vídeos em linha pode contribuir para fazer face à emergência das alterações climáticas.
A maioria dos inquiridos (57%) definiu corretamente a pegada de carbono individual como «a quantidade total de emissões de gases com efeito de estufa produzidas por uma pessoa num ano».
“Estamos empenhados em financiar projetos eficazes que combatam as alterações climáticas e em melhorar a sensibilização para esta questão premente. É deveras encorajante observar que os portugueses estão entre os mais bem informados sobre o tema na Europa», afirmou Nadia Calviño, presidente do Banco Europeu de Investimento.
E continua: “estamos a trabalhar em estreita colaboração com as instituições públicas, as cidades, o setor privado e a sociedade civil para garantir o êxito da transição ecológica. Juntos, podemos criar um futuro sustentável para todos”.
O inquérito do BEI sobre o clima centrou-se no conhecimento dos indivíduos sobre as alterações climáticas, em três vertentes principais: definições e causas, consequências e soluções. O questionário abrangeu mais de 30.000 inquiridos em 35 países, incluindo os Estados-Membros da UE, o Reino Unido, os EUA, a China, o Japão, a Índia e o Canadá.

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