A WWF Portugal fechou 2025 a alertar para o agravamento da “dupla crise” da natureza e do clima e a defender uma resposta política mais alinhada com a ciência, num ano em que a organização se tornou oficialmente escritório nacional da rede WWF em Portugal.
De acordo com o relatório de balanço anual, a WWF Portugal sublinhou que as populações de vida selvagem monitorizadas caíram, em média, 73% desde 1970, apontando estes dados como sinal de risco crescente para os sistemas naturais que garantem água, alimentos e estabilidade climática.
O relatório destacou também o reforço do trabalho no terreno e do investimento em conservação: cerca de 5 milhões de euros aplicados nos últimos anos, mais de 440 hectares de floresta restaurados, 10 quilómetros de rios recuperados e mais de 90 projetos que beneficiaram mais de 120 espécies.
Entre as principais apostas, a organização lançou a Re-Store Portugal, iniciativa nacional de restauro ecológico que prevê mobilizar 1,8 milhões de euros em cinco anos e iniciar intervenções em três áreas prioritárias (Parque Nacional da Peneda-Gerês, Estuário do Tejo e Serra do Caldeirão), com o objetivo de contribuir para as metas europeias de recuperação de ecossistemas degradados até 2030.
Na frente política, a WWF Portugal reportou participação ativa no acompanhamento do Plano Nacional de Restauro da Natureza e sublinhou a aprovação, em 2025, de uma moratória à mineração em mar profundo em águas nacionais até pelo menos 2050, apresentada como um marco por colocar Portugal na linha da frente desta proibição a nível europeu.
O documento referiu ainda o reforço do trabalho no oceano e com comunidades piscatórias, incluindo ações de capacitação e apoio a candidaturas a fundos, e a defesa de uma implementação “com qualidade” da meta 30×30 no mar, com áreas marinhas protegidas com planos de gestão, monitorização e financiamento adequados.
Em mobilização pública, o relatório indicou mais de 100 atividades de educação e cidadania ambiental, envolvendo cerca de 5.000 participantes, e aponta a Hora do Planeta como um dos momentos de maior participação, com 151.350 horas registadas em ações dedicadas ao planeta.
A WWF Portugal encerrou o ano com uma estratégia 2026-2030 centrada em seis eixos — restauro de ecossistemas, conservação de espécies, sistemas alimentares sustentáveis, clima, pessoas e integração da natureza nas decisões — e com receitas de 2,064 milhões de euros em 2025, assinalando o aumento do peso do financiamento de empresas e cidadãos num contexto de redução de fundos públicos para ONG.

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