Circularidade

Coragem

Coragem ©Rodrigo Cabrita

A taxa de circularidade em Portugal ronda os 3%. Um valor incrivelmente baixo e que não descola, apesar de todos os planos anunciados e alguns até em implementação. A média europeia, não sendo exemplar, ronda os 12% e os Países Baixos conseguem uma utilização circular de matérias que chega aos 30%.
Numa altura em que foi aprovado o novo Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC 2030), é preciso perceber porque é que os números são desanimadores. E se vamos continuar a saltar de plano em plano, com boas intenções e sem ações concretas que suportem uma verdadeira mudança.
Num país onde existe uma desresponsabilização geral pelo lixo que se produz, e onde a taxa de resíduos está afeta ao consumo de água, o lixo deixa de ter dono quando sai da nossa porta. Como diz Filipa Pantaleão, diretora-geral do BCSD, em entrevista nesta edição, não parece existir grande motivação política para avançar com sistemas mais agressivos ao estilo PAYT (pay as you throw), mas acredito que a solução tem de passar por aí. Quando cada um tiver de pagar o lixo que produz, os números vão aparecer, não há dúvidas. É preciso investir muito financeiramente em sistemas que permitam que isto aconteça? Sim. Já perdemos oportunidades para o fazer com ajuda do PRR? Sim. Mas é possível de executar? Sem dúvida. Se houver vontade. A tal ‘coragem’ de implementar sistemas impopulares, mas que são a única solução de resolver um problema que se agrava. Só há duas vias possíveis para a circularidade: ou ela se transforma em negócio (e aqui a bioenergia é um exemplo perfeito) ou teremos de aplicar a fiscalidade como força motriz.
Esta é uma edição onde nos focamos nas estratégias empresariais para incorporar a sustentabilidade, quer seja para novos modelos de negócio, quer seja para contribuir para a redução da sua pegada. Na assunção de que cada um está a fazer a sua parte. Porque o caminho é mesmo por aqui, e é o somatório de todas as iniciativas alinhadas com a transição ecológica que faz toda a diferença.

 

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