Reciclagem

ZERO: “Recolha seletiva dos biorresíduos está ainda muito aquém do desejável”

Zero: “Recolha seletiva dos biorresíduos está ainda muito aquém do desejável” iStock

A Associação Sistema Terrestre Sustentável (ZERO) alertou para o facto de Portugal “estar longe” de cumprir a meta de preparação para a reutilização e reciclagem de 55% a atingir em 2025 para o total dos resíduos urbanos.

Em comunicado de imprensa, a Associação refere ainda que a atual situação conta também com a agravante “de que desde o dia 1 de janeiro do presente ano é obrigatório dar uma solução aos biorresíduos e se constata que a maior parte dos municípios não prepararam adequadamente para dar resposta a este desafio, quer ao nível da recolha, quer ao nível da promoção da compostagem comunitária”.

De acordo com dados de 2022, disponibilizados pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e citados na nota de imprensa, do total dos resíduos urbanos (RU) recolhidos nas entidades gestoras de Portugal continental, cerca de 4,76 milhões de toneladas, 81% são recolhidos de forma indiferenciada, ou seja, cerca de 3,84 milhões de toneladas.

“Isto significa que a recolha seletiva não atinge sequer 20%, sendo que a recolha seletiva multimaterial (embalagens de papel/cartão, plástico/metal e vidro) apenas atinge 11,8% (563.043 toneladas), face a um potencial de 25 a 30%”, afirmou a ZERO.

No que toca aos biorresíduos, a Associação refere que apenas foram recolhidas seletivamente 176.550 toneladas, sendo que ainda existem 109 entidades (de um total de 237) que continuam a não fazer qualquer recolha. De acordo com a comunicação, o valor total recolhido equivale a cerca de 4% do total dos RU e “está muito aquém do potencial existente que é de 41%, do total dos resíduos urbanos”.

Já relativamente aos resultados sobre a implementação dos projetos de compostagem descentralizada, a ZERO afirmou serem “ainda escassos”. Segundo a Associação, os dados mais fiáveis e completos, também relativos ao ano 2022, mostram que das 237 entidades registadas na ERSAR, 147 não disponibilizaram aos cidadãos compostores domésticos ou comunitários.

O que sugere a ZERO?
Perante este cenário, a ZERO recomendou que sejam adotadas “medidas urgentes com vista a corrigir esta trajetória de insustentabilidade”, tais como:

– Dar prioridade ao tratamento dos biorresíduos numa lógica de proximidade, promovendo a compostagem comunitária como solução preferencial, mas que seja complementar à recolha de biorresíduos porta-a-porta ou em proximidade;

– Possibilitar que os cidadãos possam aderir à compostagem doméstica sem restrições;

– Generalizar a recolha de resíduos verdes a pedido, sugerindo que, à escala da freguesia, a aquisição de bio-trituradores no sentido de se evitar a queima de sobrantes agrícolas e florestais;

– Criar um sistema de incentivos (integrado no tarifário, que mais tarde poderá ser um tarifário PAYT) que beneficie quem adira à compostagem doméstica ou comunitária.

– Capacitar a equipa responsável para a monitorização da correta utilização das unidades de compostagem pelos cidadãos;

– Desenhar soluções criativas de proximidade, envolvendo as Juntas de Freguesias ou associações locais, quando o município não possua recursos humanos suficientes para gerir toda a atividade.

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