Descarbonização

Desflorestação da Amazónia atinge novo recorde no Brasil

Desflorestação da Amazónia atinge novo recorde no Brasil

A Agência Espacial Brasileira revelou que a desflorestação da Amazónia atingiu um novo recorde durante o primeiro semestre de 2022. De acordo com o The New York Times, dados de satélite mostram que uma área cinco vezes superior à da cidade de Nova Iorque (mais de 3 980 quilómetros quadrados) foram desflorestados, o maior valor desde pelo menos 2016.

Os dados da agência também indicaram que a atividade dos incêndios no mês de junho foi a mais alta nesse mês em 15 anos, devido a agricultores que queimam vegetação florestal para limpar terrenos para culturas e gado.

Nas últimas cinco décadas, a Amazónia perdeu cerca de 17% da sua floresta. Alguns investigadores antecipam que pode ser perdida entre 20 e 25% da floresta dentro de uma década.

“Estamos a entrar no ponto de viragem previsto pelos cientistas”, disse o secretário executivo da rede de defesa do Observatório do Clima, Marcio Astrini.  “Agora, cada número adicional de desflorestação na Amazónia empurra-nos mais para este cenário irreversível.”

O porta-voz da Greenpeace Brasil, Romulo Batista, nota que este pico é preocupante uma vez que a desflorestação está a invadir novas áreas.

Entre 2004 e 2012, o governo brasileiro tinha conseguido diminuir a deflorestação em 80%. Agora a tendência tem sido de crescimento. Várias críticas são feitas ao governo de Bolsonaro.

“As taxas de desflorestação sob Bolsonaro são o dobro da média da década anterior. É por isso que são tão alarmantes”, disse Marcio Astrini. O secretário executivo do Observatório do Clima nota que, antes de Bolsonaro, a desflorestação aumentou em média 6 500 quilómetros quadrados por ano entre 2012 e 2018. Depois de Bolsonaro tomar posse, as taxas eram de 13 mil quilómetros quadrados por ano.

Em comunicado, o Ministério do Ambiente brasileiro defendeu-se, afirmando que o “governo tem sido extremamente forte no combate aos crimes ambientais” nas principais regiões do país. A comunicação não abordou o recente aumento da desflorestação. No passado, Bolsonaro discordou dos números da desflorestação.