Portugal dispõe das infraestruturas de transporte mínimas necessárias, com exceção de algumas acessibilidades aos portos e de um caminho-de-ferro operacional, começou por afirmar Belmar da Costa. Para o Secretário-Geral da AGEPOR, o trabalho dos agentes de navegação é atrair os armadores aos portos portugueses. Um trabalho dificultado pela fraca dimensão do mercado, pelas greves regulares nos portos nacionais, e em especial de Lisboa, ou pela indefinição que rodeia as administrações portuárias há mais de um ano.
O Diretor de Desenvolvimento da Tertir, Carlos Figueiredo, considerou antiquado o sistema de concessão nas áreas portuárias face aos modelos existentes noutros países da Europa. “Na Alemanha o custo da renda do terminal é irrisório no total da operação; em Portugal pode chegar a um terço”, criticou.
Na carga aérea a localização geoestratégica de Portugal é uma vantagem real, sobretudo na ligação a África e América do Sul. Preço, serviço e localização geográfica influenciam decisivamente a carga aérea, defendeu José Manuel dos Santos, Assessor do Conselho de Administração da ANA, satisfeito com o crescimento da carga aérea exportada, a um ritmo de 7%.
Para Portugal vencer o problema da dimensão, Vítor Caldeirinha, diretor da Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra deixou duas sugestões: penetrar no hinterland ibérico, com a consciência de que é preciso enfrentar a concorrência de Valência, e aumentando o transhipment, a opção mais adequada aos portos sem suficiente dimensão.
Sobre o potencial do canal do Panamá certezas não há. Pode ser uma oportunidade, na teoria, mas também uma ameaça. Certo, concordam todos, é que a decisão está nas mãos dos big players, que para já se reservam ao silêncio.

