A visita oficial à China do Presidente da República, Cavaco Silva, em maio passado, veio trazer um novo alento ao desenvolvimento das relações, nomeadamente comerciais, entre os dois países. Foi a primeira visita de um chefe de Estado português àquele país desde 2005 e levou, ao longo de sete dias, a Xangai, Pequim e Macau uma comitiva constituída por mais de 100 empresários de áreas tão diversas como vinhos, agroalimentar, farmacêuticas , turismo, banca, advocacia, imobiliário, arquitetura e associações de jovens empresários.
A visita foi considerada um sucesso por ambas as partes e deu frutos: foram assinados quase três dezenas de acordos e memorandos de entendimento entre os dois governos, empresas e universidades. Foram desbloqueados os entraves à exportação de lacticínios portugueses para aquele país. Foi dado um novo passo no desbloqueamento da exportação de produtos suínos. Foi retomada a possibilidade de estabelecer uma ligação aérea direta entre Lisboa, Pequim e Xangai, para promover as relações comerciais entre os dois países, nomeadamente na área do turismo.
Portugal é o terceiro maior parceiro comercial lusófono da China, depois do Brasil e de Angola. Nas relações comerciais com este gigante asiático, Portugal é claramente deficitário, com as importações a representarem o dobro das exportações em valor. “Exportamos pouco valor com muita quantidade o que de alguma forma pode compensar as quantidades importadas, que têm um valor mais elevado, isto de um ponto de vista estritamente de imbalance de contentores”, nota José Carlos Santos, diretor geral da CMA-CMG Portugal, que representa em Portugal o grupo com o mesmo nome.
“Apesar da implantação de algumas indústrias chinesas na Europa, incluindo Portugal, as oportunidades de crescimento das importações continuam altamente favoráveis”, segundo António Tinoco, Diretor da Agência Marítima Euronave, que representa em Portugal a COSCO – China Ocean Shipping Company.
O diretor geral da CMA-CMG Portugal confirma o aumento das importações, não obstante a “crescente deslocalização da produção da China para mercados mais próximos, como a Europa Ocidental e os EUA, uma tendência que se justifica com fatores relacionados com a pressão sobre o mercado, a necessidade de reduzir stocks, a distância do mercado chinês, e também o risco de contrafação”.
Meta dos mil milhões
Nos últimos anos as exportações portuguesas para a China cresceram a dois dígitos, ainda que no ano passado tenham diminuído 10%, devido sobretudo à quebra das vendas de veículos, nomeadamente da AutoEuropa, que registaram uma redução de 75%. O número de empresas portuguesas que exportam para a China aumentou 47% entre 2008 e 2012, passando de 704 para 1035, segundo o INE.
O primeiro trimestre deste ano foi auspicioso e as exportações portuguesas para a China aumentaram 4,75% face ao período homólogo, totalizando 243,68 milhões de euros, de acordo com a Administração-geral das Alfandegas Chinesas. A China tornou-se o 10º cliente de Portugal, mas as expetativas são elevadas e o Ministro da Economia, Pires de Lima, afirmou publicamente a ambição de “colocar a China no “top 5” dos nossos mercados de destino das exportações”. Este ano a ambição será ultrapassar a fasquia dos mil milhões de euros de exportações para a China, mais 350 milhões do que em 2013. Carlos Vasconcelos defende que Portugal deveria pensar em ter uma estratégia global, desenhada entre as empresas e o Governo, com o objetivo de tornar a China o nosso principal parceiro económico. “Por um lado, centrando-se no aumento das nossas exportações e, por outro, atraindo empresas chinesas para se estabelecerem em Portugal, a fim de concluírem aqui o seu ciclo produtivo, com vista à exportação para o mercado europeu”, diz.
Leia o artigo na íntegra na edição julho/agosto da LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE

