Especial: Equipamentos de movimentação, mercado em stand by…

Especial: Equipamentos de movimentação

O mercado de equipamentos de movimentação de cargas está em queda. A crise económica por um lado, e a incerteza ou diminuição da confiança no futuro, por outro, levam ao adiamento dos investimentos. As necessidades mantêm-se mas as empresas preferem jogar pelo seguro e prolongar os contratos existentes. Até quando?

Os equipamentos de movimentação de cargas têm utilidade para um vasto conjunto de setores de atividade, da indústria, à logística, à construção e agricultura. Mas face à atual conjuntura económica a atitude dos utilizadores é comum: Reduzir os investimentos ou protelar as decisões de novos investimentos. A renovação das frotas vai sendo adiada, preferindo as empresas optar pelo prolongamento dos contratos de aluguer ou por recorrer a máquinas recondicionadas ou seminovas. 

Se da parte do setor privado as notícias não são boas para os fabricantes e representantes deste tipo de equipamentos, também não se esperam novidades do setor público. E a ausência generalizada de perspetivas de crescimento preocupa os operadores. Como afirma Ana Soares, Diretora de Marketing da divisão de Equipamento Industrial da Toyota, “antevê-se, nos próximos anos, escassez de dinheiro (falta de investimento público) para modernizar e investir no setor das infraestruturas logísticas (ferroviárias, aeroportuárias e rodoviárias) o que certamente irá constituir um sério handicap ao desenvolvimento futuro do setor”. Esta empresa faturou 25,7 milhões de euros em 2011, prevendo para este ano uma quebra de 2 milhões de euros. 

Os números dão conta da realidade. As vendas de equipamentos de movimentação de cargas em Portugal diminuíram 28% no primeiro semestre de 2012, face a igual período do ano anterior. Já em 2011 a mercado tinha diminuído 9,5%. Dados da ACAP – Associação do Comércio Automóvel de Portugal, facultados por Susana Teixeira, Responsável de Marketing da Manitou, mostram que no primeiro semestre deste ano a situação foi negativa em todos os segmentos: menos 35% no segmento dos empilhadores a diesel, menos 46% nos empilhadores a gás e menos 16% nos empilhadores elétricos. Também os equipamentos de armazenagem estão em queda, com as vendas de stackers a diminuírem 13% e a dos porta-paletes a descerem 20,5%. 

Carteira equilibrada

 

Apesar da quebra generalizada de vendas que afeta o mercado de equipamentos de movimentação de cargas, os setores da logística e da distribuição mantêm-se como os mais dinâmicos, de acordo com a Diretora de Marketing da divisão de Equipamento Industrial da Toyota. 

Atualmente os fabricantes e/ou representantes de equipamentos de movimentação de cargas em Portugal procuram ter presença nos diversos setores de atividade que utilizam este tipo de equipamentos. Podemos dizer que, em tempos difíceis e face a um pequeno mercado como o português, a diversificação da carteira de clientes é a melhor aposta. 

A Auto-Sueco Coimbra Máquinas e Equipamentos Industriais, através da sua representada Yale, tem clientes de todos os setores de atividade, nomeadamente a distribuição, a indústria e a logística. “A nossa estrutura de clientes está equitativamente distribuída por todos os setores”, assegura Herlander Santos, Diretor da Divisão de Movimentação de Cargas da ASC Máquinas.                                          Os maiores clientes da Empigest são empresas de logística e da grande distribuição, setor fabril e também do setor das pescas ou tratamento de pescado. Como explica o Diretor Geral, Carlos Carvalho, “a maior parte dos nossos grandes clientes representam entre 4% e 5% do total de faturação, o que garante o equilíbrio nas relações comerciais e verdadeiros acordos baseados nas soluções comerciais apresentadas e no nível de serviço prestado”. A Empigest encerrou o ano de 2011 com uma faturação de 5,2 milhões de euros, o que representou um aumento de 4,5% em relação a 2010. Em 2012 perspetiva passar a fasquia dos 6 milhões de euros, um aumento superior a 15% em relação ao ano transato.

Dentro do setor da logística e da distribuição, a Manitou Portugal conta com clientes diversos, desde o mais pequeno armazém até às grandes empresas de retalho, como a Sonae, o AKI ou o Grupo Intermarché, entre outros, segundo a Responsável de Marketing da empresa. Em 2011, a Manitou Portugal obteve um volume de negócios de 10,1 milhões de euros.

 

Aluguer em expansão

 

Desde há já alguns anos que se assiste à substituição dos equipamentos de movimentação térmicos pelos elétricos, que são os que têm maior expressão no mercado: 306 unidades vendidas no primeiro semestre de 2012, contra 95 a diesel e 22 a gás. Esta tendência explica-se pelos crescentes requisitos ambientais e pela procura de maior eficiência energética. Mais recentemente, o crescimento das exportações gerou maior procura por empilhadores elétricos.

Na divisão de Equipamento Industrial da Toyota, os equipamentos mais procurados são os elétricos, porta-paletes e empilhadores retrácteis. No caso da Manitou Portugal, os equipamentos mais vendidos para a área logística são os porta-paletes, empilhadores elétricos entre as 1,5 e 2,5 toneladas e os empilhadores diesel entre as 2,5 e as 3 toneladas.

A implantação de mais e maiores empresas de logística tem-se feito acompanhar pelo crescimento do aluguer deste tipo de equipamentos. “O mercado tende a recorrer ao aluguer de máquinas, já que para além de garantir custos de exploração fixos, o cliente pode ainda ajustar a duração dos contratos de aluguer em função da aplicação, das suas previsões de crescimento ou quebra de atividade, e no caso das empresas de logística, celebrar contratos com a duração dos acordos que estabelecem com os seus clientes”, explica Carlos Carvalho, da Empigest.

“É uma forma simples de não ter de efetuar investimentos avultados, canalizando verbas para outras áreas e tendo muito maior flexibilidade na gestão da sua frota de equipamentos”. Nesta empresa, o aluguer representou cerca de 40% do volume de faturação de 2011.

No caso da ASC Máquinas o crescimento da opção aluguer situa-se na ordem dos 10% ao ano e a empresa prevê que no final deste ano possa chegar aos 20%. “A colocação no mercado de equipamentos novos por via de aluguer operacional, no caso da nossa empresa, já ultrapassa os 50% do total das vendas. Por recurso, o aluguer de curta duração tem de igual forma vindo a aumentar”, explica Herlander Santos. Na Manitou, o peso do aluguer da divisão IMH (empilhadores industriais) cresceu cerca de 3,5% nos primeiros cinco meses do ano, face a igual período do ano passado. Nesta data, o aluguer correspondia a cerca de 9% do volume total de negócios desta divisão. 

Leia o artigo na íntegra na edição nº100 da Logística e Transportes Hoje.

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