Energias Renováveis

O futuro do hidrogénio verde em Portugal

O Governo anunciou novidades quanto à presença de hidrogénio verde no País: as regras dos leilões e os dois “hydrogen valleys”.

O Governo anunciou novidades quanto à presença de hidrogénio verde no País. A primeira consiste nas regras e no modelo dos primeiros leilões de hidrogénio verde. Já a segunda novidade é o desenvolvimento de dois “hydrogen valleys”: um no Porto de Sines, o outro no norte de Portugal.

Leilões de hidrogénio

Os primeiros leilões de hidrogénio verde vão ocorrer já este mês. O secretário de estado adjunto e da energia, João Galamba, revela, citado pelo Portal Energia, que: “Vamos fazer uma apresentação das linhas gerais do primeiro leilão de hidrogénio verde na primeira semana de abril”, sendo depois aberta a fase de sessões públicas com todos os interessados.

O leilão terá modos diferentes dos leilões de energia solar que se realizaram entre 2019 e 2020. De acordo com o governante, e ele não será direcionado para os produtores de hidrogénio, mas sim para potenciais e futuros consumidores de hidrogénio verde.

“Todas as empresas serão elegíveis para ir a leilão, incluindo as comercializadoras de energia. Nos leilões vamos procurar as empresas que usam gás e querem passar a usar hidrogénio. E vamos ser neutros no que diz respeito à distribuição, seja o consumo feito a partir da rede ou diretamente no local, seja via autoconsumo ou através de outra forma de transporte até ao destino”, explica o secretário de estado.

Empresas como a Bondalti, a Solvay, a Cimpor, a Renova, assim como empresas do setor de transportes, por exemplo, a CP e a Caetano Bus, já mostraram interesse no leilão.

As comercializadoras de energia como, por exemplo, a EDP e a Galp vão ter acesso a um mecanismo especial para que possam participar e vender hidrogénio verde aos seus clientes empresariais e industriais de gás.

Quantidades e preços

O secretário de estado adiantou que a leilão irá uma certa quantidade de hidrogénio, mas ainda não está definida qual será essa mesma quantidade, nem se unidade pode ser em kgs ou em MWh. Segundo a Estratégia Nacional, a quantidade de hidrogénio a concurso será de meia quilotonelada, o que corresponde a cerca de 0,1% da rede de gás natural.

Sobre os preços praticados “o mecanismo do leilão vai pagar a diferença entre um determinado preço atingido em licitação e o preço de carbono existente no mercado. Ou seja, se o valor licitado for 70 e o preço do carbono estiver a 40, o leilão paga 30, mas se o preço de carbono subir para 60, já só paga 10. Se subir para 70, paga zero”, explica o responsável.

Ou seja, “o preço do carbono no mercado ainda é demasiado baixo para viabilizar o consumo de hidrogénio em larga escala, por isso são os leilões que pagam a diferença entre o preço existente no mercado e o preço que tornaria viável aquele consumo”.

Após dar a conhecer o investimento e revelar as regras, serão feitas sessões públicas com os potenciais utilizadores de hidrogénio interessados em ir a leilão e assim dar “tempo suficiente para que o lado da procura e da oferta se coordenem” e avancem com uma estratégia definida.

“Hydrogen Valleys” – Sines e Norte do País

O secretário de estado da Energia, João Galamba, também anunciou o desenvolvimento de pelo menos dois “hydrogen valleys” nos próximos anos, um no Porto de Sines e o outro no norte do País. Estes “hydrogen valleys” são clusters industriais para a produção, distribuição, exportação e uso de hidrogénio verde.

De acordo com o responsável pela energia, citado pelo portal Eco, estes clusters “baixam os custos de produção e permitem a criação mais rápida das cadeias de valor do hidrogénio”.

De acordo com o governante, “existem já muitos destes hydrogen valleys na Europa” e Portugal não quer ficar fora da corrida para instalar este tipo de “ecossistemas integrados que permitem o desenvolvimento sistemático dos vários elementos da cadeia de valor do hidrogénio verde”, integrando desde a fase de produção à distribuição e ao uso.

“Estes clusters, como o que está programado para nascer em Sines, favorecem a eficiência coletiva, baixam os custos de produção e permitem a criação mais rápida das cadeias de valor do hidrogénio verde, que são alguns dos objetivos da UE”, disse João Galamba.

O Sines Hydrogen Valley”, de acordo com Filipe Costa, CEO da AICEP Global Parques, empresa estatal que gere a Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), vai produzir mais de 1 GW de eletricidade renovável a partir da energia solar e eólica e mais de 1 GW de capacidade de produção de hidrogénio verde a partir de eletrolisadores.