Capital Natural

Serra da Estrela integra Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO

Serra da Estrela integra Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO

A Serra da Estrela passou a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, após aprovação anunciada no passado dia 5 de junho, na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera, que decorre em Hernandarias, no Paraguai.

De acordo com o comunicado de imprensa, a nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 km², distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela: Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã.

O território está organizado em três zonas complementares. A Zona Núcleo concentra os valores naturais mais relevantes e ocupa 212,55 km², a Zona Tampão, destinada à mediação ecológica, abrange 679,65 km² e a Zona de Transição, dedicada às atividades humanas sustentáveis, ocupa 1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva.

Segundo a informação divulgada, o território alberga 30 habitats listados na Diretiva Habitats da União Europeia (UE) e reúne ecossistemas, espécies endémicas e mosaicos agroecológicos de montanha associados à relação entre as comunidades locais e a natureza.

A candidatura foi promovida pela AGE – Associação Geopark Estrela, com coordenação científica da Professora Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra. Helena Freitas representou Portugal na sessão do Conselho, acompanhada pelo presidente da Câmara de Manteigas.

A iniciativa resulta de um processo participativo que envolveu autarquias, sociedade civil, comunidade educativa e organizações ambientais. O processo teve como base o Plano de Cogestão do Parque Natural, aprovado em novembro de 2024.

Com esta aprovação, a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO no mesmo território: Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e Reserva da Biosfera. Os dois estatutos serão geridos de forma integrada, numa lógica de governança conjunta para otimização de recursos humanos, financeiros e materiais.

A designação é apresentada como um compromisso com os objetivos globais de conservação da biodiversidade inscritos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal e como uma oportunidade para afirmar a Serra da Estrela em práticas de sustentabilidade e educação ambiental.

De acordo com a comunicação, o território, onde se situa o ponto mais alto de Portugal continental, com 1.993 metros de altitude, é enquadrado como um “laboratório vivo” para testar e consolidar soluções que conciliem conservação da natureza e desenvolvimento humano, incluindo resposta à desertificação, adaptação às alterações climáticas e valorização do conhecimento das comunidades de montanha.

 

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