A introdução de requisitos obrigatórios de divulgação de sustentabilidade aumentou a transparência das empresas, mas também facilitou o escrutínio externo sobre o seu desempenho ambiental, social e de governação, segundo um estudo da Universidade Radboud, na Holanda.
O estudo, intitulado “Government Orchestration at Play: The Influence of Disclosure Regulation on Stakeholder Accusations and the Role of CSR”, foi publicado no Journal of Management Studies e analisou a relação entre regulamentação de reporte, transparência empresarial e acusações públicas por parte de diferentes partes interessadas.
Segundo os investigadores, a divulgação obrigatória de parâmetros de sustentabilidade tornou mais fácil para investidores, organizações não governamentais, jornalistas e outros agentes identificar falhas e insuficiências no desempenho das empresas.
O estudo conclui que as empresas obrigadas a reportar informação ambiental, social e de governance receberam significativamente mais acusações públicas de conduta empresarial irresponsável.
“As partes interessadas têm levantado mais críticas porque estas novas regras facilitaram o acesso à informação e a comparação entre empresas”, afirma Julia Bartosch, professora na Universidade Radboud e coautora do estudo.
A investigadora explica que, antes da existência de regulamentação, as empresas conseguiam reduzir críticas ao destacar iniciativas genéricas de sustentabilidade. Com a criação de condições mais comparáveis entre empresas, a divulgação mais detalhada das atividades de sustentabilidade pode aumentar as expectativas sobre a conduta empresarial responsável e, consequentemente, o escrutínio.
“As empresas precisam de acompanhar essas expectativas para evitar o escrutínio e, assim, reduzir a discrepância entre a sua conduta e as expectativas elevadas”, acrescenta Julia Bartosch.
A equipa de investigação analisou dados de mais de 1500 empresas em todo o mundo entre 2007 e 2018, com o objetivo de avaliar se a divulgação obrigatória reforçou a supervisão externa.
“O que descobrimos foi que as empresas obrigadas a divulgar informações sobre as suas atividades ambientais, sociais e de governação receberam significativamente mais acusações públicas de conduta empresarial irresponsável”, refere a investigadora. “A regulamentação funcionou, como esperado, para ativar a fiscalização”, frisa.
O estudo surge num contexto em que têm sido apresentadas propostas para reduzir obrigações de reporte para algumas empresas, devido a preocupações com encargos administrativos. No entanto, os investigadores defendem que estruturas de divulgação mais voluntárias dificilmente reduzem o nível de críticas que as empresas podem enfrentar.
“Com esta investigação, mostramos que uma regulamentação menos precisa e mais voluntária, que se tornou mais ou menos padrão em muitos países, simplesmente não é melhor para os negócios, porque essa regulamentação frouxa não protege contra reclamações das partes interessadas”, afirma Julia Bartosch.
A investigadora acrescenta que regras mais rigorosas poderiam ajudar a distinguir melhor as empresas que investem efetivamente na sustentabilidade das suas operações daquelas que apenas aparentam fazê-lo.

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