Circularidade

Estudo aponta baixo conhecimento sobre economia circular entre consumidores brasileiros

Estudo aponta baixo conhecimento sobre economia circular entre consumidores brasileiros iStock

Cerca de 39% dos consumidores brasileiros desconhecem o conceito de economia circular e apenas 12% afirmam estar bem informados sobre o tema, segundo um estudo do Movimento Plástico Transforma, iniciativa brasileira de educação e sensibilização sobre reciclagem e economia circular, em parceria com o Instituto QualiBest, instituto de pesquisa de mercado online.

Apesar do baixo nível de conhecimento, o estudo indica um aumento do interesse pela economia circular e pela reciclagem. Cerca de 45% dos inquiridos afirmaram já ter ouvido falar em economia circular, enquanto 28% disseram já ter encaminhado embalagens para reciclagem em algum momento.

Apenas 14% dos participantes referiram reciclar produtos frequentemente. Em sentido contrário, 30% afirmaram nunca ter participado em programas de reciclagem, embora tenham manifestado interesse em fazê-lo.

“Os resultados mostram que a reciclagem já faz parte do quotidiano e da perceção dos brasileiros, mas a economia circular ainda é um conceito que precisa de ser traduzido em realidade”, afirma Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma.

Segundo a responsável, quando a população compreender que as embalagens podem regressar à cadeia produtiva e dar origem a novos produtos, passará a ver a reciclagem “não apenas como uma ação ambiental, mas como parte de um sistema capaz de reduzir o desperdício e gerar valor para a sociedade”.

“O desafio agora é ampliar o acesso à informação e aproximar este debate do quotidiano dos consumidores”, acrescenta Beatriz Geraldes.

O estudo aponta também para um nível relativamente elevado de confiança na infraestrutura de reciclagem no Brasil. Cerca de 54% dos inquiridos acreditam que os resíduos separados são efetivamente reciclados e 31% consideram que pelo menos parte é processada corretamente. Apenas 6% afirmaram não confiar no processo de reciclagem.

A infraestrutura surge, contudo, como uma das principais limitações à adesão. Segundo o estudo, 55% dos participantes indicaram que existe recolha seletiva de resíduos no seu bairro, enquanto 40% disseram não ter acesso a esse serviço.

A falta de serviços de recolha foi identificada por 31% dos inquiridos como a principal barreira à reciclagem. Seguem-se a falta de espaço em casa para armazenar materiais recicláveis, referida por 25%, e a informação limitada sobre quais os materiais que podem ser reciclados, apontada por 20%.

Quanto à responsabilidade pelo aumento das taxas de reciclagem, 78% dos inquiridos consideram que os cidadãos devem ter um papel central. O Governo foi referido por 63% dos participantes e as empresas por 55%.

“Os resultados mostram que o consumidor brasileiro está numa fase importante de maturidade em relação às questões ambientais”, afirma Marlene Treuk, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest. “Há uma clara perceção da importância da reciclagem e uma crescente disposição para adotar comportamentos mais sustentáveis”, frisa.

A responsável considera, no entanto, que o baixo conhecimento sobre economia circular mostra que existe ainda “uma oportunidade significativa para a educação e a comunicação”, sobretudo em temas que deverão ganhar relevância para o consumo e a gestão de resíduos nos próximos anos.

A investigação teve por base respostas de 834 online de residentes com 18 ou mais anos, de todas as regiões e grupos sociais do Brasil.

 

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