Mobilidade

O momento da verdade para descarbonizar a mobilidade

Condução autónoma, carros conectados, veículos eletrificados e mobilidade partilhada. A crescente  consciência ambiental está a levar a abordagens mais agressivas na agenda mundial da mobilidade.  Natalia Gutiérrez, responsável pela área de mobilidade da Cabify, revelou à Sustainable Brands Magazine alguns exemplos do que já a acontecer. Deixamos-lhe o essencial.

Cidades mais habitáveis

O transporte rodoviário representa 11,7% das emissões globais de gases com efeito de estufa, sendo que os centros urbanos são responsáveis por 70% desta fatia, de acordo com a Agência Internacional de Energia e a Rede de Cidades C40 [grupo de grandes cidades mundiais, empenhadas em debater e combater a mudança climática]. As cidades são fundamentais na solução para as alterações climáticas, o que exige a adoção de medidas para  a descarbonização da mobilidade.

Tanto a compensação das emissões como a eletrificação dos veículos são meios para este fim vital. A Cabify já atingiu a neutralidade carbónica das operações e das viagens de ciclistas em Espanha  e  na  América Latina há três anos. Durante este período, compensou mais de 310.000 toneladas de CO2 (o que equivale a proteger 14 milhões de árvores na Floresta Amazónica), e progrediu na redução de emissões e na eletrificação da frota até 2025 em Espanha e até 2030 na América Latina.

A empresa associou-se ainda  à fintech espanhola Climate Trade, para  apoiar novos projetos de energia limpa e ambientais no  Peru,  Chile  e  Brasil – aproveitando a tecnologia blockchain para traçar de forma eficiente e transparente os fundos de compensação para os projetos.

A tecnologia é um facilitador fundamental para a ação climática, onde táxis aéreos autónomos, bicicletas impressas em 3D, motos elétricas e bicicletas eletrónicas dobráveis são opções futuristas. Mas já são também visíveis alguns grandes compromissos assumidos por alguns grandes players: a Amazon  está a ter uma abordagem única e prática para conceber e desenvolver as suas carrinhas elétricas em conjunto com o parceiro  Rivian; a Volvo Group  e  a Daimler Trucks criaram uma joint venture que desenvolverá, construirá e venderá sistemas de células de combustível a hidrogénio para camiões pesados  e a Hyundai continua a melhorar os seus veículos com motores de combustão interna, desenvolvendo e produzindo veículos ecológicos também com células de combustível.

Um dos desenvolvimentos fundamentais que estamos a começar a testemunhar é a ambição de tornar as cidades centradas nas pessoas através de uma mudança para uma mobilidade urbana sustentável…  O conceito da ‘cidade dos 15 minutos’ (uma cidade em que em 15 minutos a pé, ou de bicicleta, se consegue alcançar os serviços que são relevantes para o  quotidiano do cidadão, desde ir trabalhar a ir ao cinema ou restaurante) é um conceito que promete dinamizar o futuro da mobilidade.

Espaço público de qualidade

O enriquecimento dos espaços públicos é uma tendência fundamental que deve orientar as cidades nos próximos anos. As pessoas são o poderoso motor das cidades e a ligação entre elas é uma das necessidades mais profundas como seres humanos. Richard Rogers,  vencedor do Prémio Pritzker, revela algumas das preocupações e desafios fundamentais enfrentados pelas cidades do século XXI no seu livro -Cities for a Small Planet- incluindo a necessidade de recuperar espaços de reunião públicos para permitir a reconciliação de meios de transporte, muitas vezes conflituosos. Algumas cidades já estão a inspirar o mundo, caso de Berlim, a primeira cidade a implementar ciclovias pop-up para se adaptar aos padrões de mobilidade em evolução causados pela COVID-19, mas também Bogotá, que se orgulha da sua rede de 600 quilómetros de ciclovias.

O maior desafio nos próximos 10 anos será, no entanto, a acessibilidade das infraestruturas para aumentar os pontos de carregamento do transporte elétrico que permitam o crescimento de uma mobilidade urbana mais sustentável.

Parcerias

Ultimamente temos assistido à criação de fortes alianças em matéria de alterações climáticas por parte do setor da mobilidade, como a Zero Emission Transportation Association (ZETA)– criada “para defender políticas nacionais para acelerar a transição para veículos elétricos, criar empregos, melhorar a saúde pública e reduzir significativamente a poluição carbónica”. Outro exemplo de uma enorme parceria público-privada global é o The Climate Pledge, movido pela Amazon e pelo  Global Optimism, para ligar tecnologia e negócios numa colaboração que pretende resolver a crise climática antecipando em 10 anos os objetivos do Acordo de Paris. Algumas das maiores empresas do mundo estão a juntar-se a esta aliança para criar sinergias e unir os seus esforços para um planeta melhor.