Bridgestone

Mercado português sobre rodas

Ralph Bernfelp Bridgestone Logística e Transportes Hoje
O setor da logística e transportes representa mais de metade da faturação da Bridgestone Portugal. A empresa cresceu 11% em 2016 e tem um “plano ambicioso de crescimento” para este ano, em especial nos pneus para pesados de mercadorias, onde foi recentemente lançada a linha Ecopia. Também nos vans há perspetivas de crescimento, sobretudo com uma maior penetração da marca Bridgestone.

Em Portugal, a Bridgestone comercializa todos os produtos pneumáticos com exceção dos pneus para avião. Já outros produtos fabricados pela multinacional sedeada em Tóquio, como borracha industrial, produtos químicos e artigos desportivos, não estão presentes no mercado português.

A atividade da Bridgestone Portugal divide-se em produtos de consumo (adequados aos veículos ligeiros, 4×4 e vans) e produtos comerciais (pesados de mercadorias, agricultura e engenharia civil). Além dos produtos novos, a empresa comercializa produtos recauchutados através de uma subsidiária, a Bandag.

“Temos uma presença muito forte com a nossa gama de pneus nos pesados de mercadorias em Portugal”, diz Ralph Bernfelp, Diretor Geral da Bridgestone Portugal, um peruano de ascendência alemã que vive há décadas em Portugal. Neste segmento, estão disponíveis três marcas: Bridgestone, Firestone e Dayton (marca mais económica), para dar resposta desde o transporte de proximidade, ao transporte de longo curso e obras públicas.

Para os pesados de mercadorias, a novidade é o lançamento de uma nova gama de pneus ecológicos, a linha Ecopia. “É uma linha que ajuda a poupar combustível, mantendo uma boa performance, boa quilometragem e muita segurança. Toda a linha está pensada para reduzir o nível de decibéis e de CO2”, afirma Ralph Bernfelp.

Ralph Bernfelp - Bridgestone - Logística e Transportes Hoje

Ralph Bernfelp, Diretor Geral da Bridgestone Portugal

Nos produtos de consumo, a Bridgestone Portugal tem também uma estratégia multimarca, com as marcas Bridgestone, Firestone, Dayton e Seiberling. As duas últimas são muito semelhantes, mas são vendidas a diferentes canais de distribuição. A Dayton é exclusiva para a rede de parceiros First Stop. Para o setor de vans, a Bridgestone lançou, em janeiro, um pneu novo Firestone, o Hankook 2, que “representa uma evolução em relação ao Hankook 1, que é já um produto líder de mercado”.

Expandir rede First Stop

Ralph Bernfelp mostra-se satisfeito com os lançamentos de novos produtos feitos pela empresa. “Lançámos novos produtos para camiões e vans, nos automóveis renovámos a nossa linha de pneus ligeiros da Firestone e até na linha budget lançámos um pneu novo Dayton e Seiberling. São exemplos da nossa estratégia de contínua introdução de produtos novos no mercado, de acordo com o nosso plano, que define os novos lançamentos nos próximos anos. Haverá sempre produtos novos, nomeadamente nos camiões e vans”.

A par, a Bridgestone está a expandir a sua rede First Stop, um conceito de serviço automotor que tem uma relação muito próxima com a Bridgestone. “Muitas destas lojas vendem toda a gama de produtos, outras são mais especializadas e vendem 95% só para o ponto de consumo”. Hoje com 80 pontos de venda, o objetivo é consolidar a rede e criar alguns novos pontos de venda em zonas geográficas específicas, onde ainda existem algumas necessidades.

A Bridgestone comercializa os seus produtos através uma rede de revendedores autorizados a nível nacional. Esta rede é a base do fornecimento dos pneus da empresa para as frotas de transporte, embora alguns destes revendedores estejam especializados noutras áreas que não os pesados de mercadorias, por exemplo a área agrícola. “Temos cerca de 40 agentes que vendem produtos para camiões, embora o grosso das vendas seja feito por um número mais limitado, pois é preciso ter uma solidez financeira grande para conseguir fornecer uma frota de 500 ou 600 camiões”, explica Ralph Bernfelp.

Preço versus segurança

Na aquisição de pneus, o preço é importante, mas não é o principal fator de decisão, assegura o Diretor Geral da Bridgestone Portugal. Estudos realizados em Portugal e fora mostram que “mais do que o preço importa a segurança. As frotas valorizam a segurança, a par do custo por quilómetro, ou seja, o preço final do produto dividido pelo número de quilómetros que fez. A noção de poupança quando se compra um produto barato é falsa, pois se o custo inicial é mais baixo, o final é mais elevado. Não só porque o produto não rende os quilómetros de um produto de qualidade superior, como muitas vezes não é possível recauchutá-lo. Aí perde-se muito valor, para além do lado ecológico”.

A Bridgestone posiciona-se no mercado de pneus como oferecendo “produtos de qualidade que dão um alto nível de confiança e segurança. O nosso objetivo é vender produtos seguros com um preço aceitável, pois é isso que o cliente quer”.

Pelo seu posicionamento no mercado, a Bridgestone não tem sido muito afetada pela concorrência asiática que, “com muito poucas exceções, baseia-se em preço”. “Ao longo dos anos têm entrado no mercado europeu muitas marcas chinesas de pneus para camiões, mas temos sofrido muito pouco com isso, pois estas marcas vieram concorrer sobretudo com outras marcas baratas ou com o mercado de recauchutagem. Por outro lado, temos visto que quem compra marcas chinesas não repete a compra porque não ficou satisfeito”.

Outras tendências neste mercado passam pelo crescimento das jantes, no setor de automóveis e 4×4, onde o standard começa a ser de 16 para cima. Já nos camiões a tendência é para a manutenção da jante de 22,5, mas com a consolidação da série 70 e a manutenção da série 80 e, nalguns casos, a montagem de pneus semelhantes às medidas dos atrelados, mas nos eixos dianteiros. A opção pela série 60, que parecia ser uma tendência há uns anos atrás, está a regredir. “Eram pneus mais baixos, que se destinavam a ganhar altura para levar mais carga, mas esses pneus não deram muito bons resultados em termos de quilometragem e por isso a tendência voltou a ser a série 70 e a clássica 80”, explica Ralph Bernfelp.

Materiais 100% sustentáveis

Já do ponto de vista dos fabricantes, e particularmente da Bridgestone, as preocupações passam pelo “eco-friendly e por manter uma boa relação qualidade/preço, garantindo performance e segurança”, nas palavras de Ralph Bernfelp.

A preocupação ambiental é um dos pontos importantes e já antigos da política de Responsabilidade Social Empresarial da empresa japonesa. Além do lançamento de produtos menos agressivos ambientalmente há investimento em materiais renováveis. Um exemplo é a pesquisa no sentido de uma possível substituição da borracha natural por guaiúle, um tipo de planta que tem algumas caraterísticas da borracha natural. Há experiências deste tipo a serem feitas nos desertos dos EUA.

Entregas diárias e bi-diárias

O serviço de logística prestado aos clientes é uma das preocupações da Bridgestone Portugal. Em território nacional, a marca tem um armazém central, alimentado pelo mega armazém de Madrid, que dá resposta aos clientes em 24 horas. Na zona metropolitana de Lisboa as entregas são bi-diárias.

Esta necessidade de abastecimento cada vez mais regular aos clientes deve-se à crescente variedade de produtos, que torna “impossível para os clientes terem stock de todos os produtos”. Outro motivo é o preço dos produtos. “Há 10 anos, nos ligeiros de passageiros usavam-se jantes 14, hoje usam-se jantes 18, 19 e 20. O preço médio de um pneu era de 20 euros, hoje pode chegar aos 200”.

Os custos com os stocks são cada vez mais altos e os clientes exigem que os fabricantes deem resposta às suas necessidades, com entregas diárias ou bi-diárias. Os clientes da Bridgestone podem fazer as suas encomendas através de um call centre ou através de uma plataforma informática, onde acedem de forma automática aos produtos em stock. Toda a operação logística da Bridgestone é feita internamente, com exceção do transporte.

Ralph Bernfelp - Bridgestone - Logística e Transportes Hoje

Ralph Bernfelp, Diretor Geral da Bridgestone Portugal

“Este tipo de serviço é cada vez mais importante para dar resposta à necessidade de entregas rápidas dos clientes”, explica Ralph Bernfelp. “Preocupamo-nos em ter o máximo de produto em stock mas nunca será possível ter tudo, porque há muitos produtos e muitos picos de vendas. Mas este serviço reflete-se no aumento de vendas, pois como conseguimos corresponder às expetativas, os clientes confiam em nós”.

Bridgestone reforça quota

O setor da logística e transportes representa mais de metade da faturação da Bridgestone Portugal. “Temos uma posição muito forte no mercado dos transportes, que fomos desenvolvendo ao longo dos anos”, diz o Diretor Geral da empresa. O ano passado o crescimento foi de dois dígitos, quer em volume quer em valor. A Bridgestone Portugal faturou perto de 57 milhões de euros, mais 11% que em 2015. “O nosso crescimento em todas as categorias de produto foi superior à média do mercado, por isso temos ganho quota de mercado”.

Para Ralph Bernfelp, os bons resultados devem-se à boa aceitação da gama de produtos pelo mercado português e “ao trabalho de vários anos para estabelecer uma estratégia bastante coerente e estável que se adapta às mudanças do mercado e que é reconhecida pelos nossos clientes”. O rápido serviço de entregas também contribui para a satisfação dos clientes.

Com exceção dos anos da crise, e em especial de 2008 e 2009, quando o mercado caiu a pique com a quebra no setor da construção, as vendas da Bridgestone têm estado sempre acima do nível do mercado.

O crescimento do ano passado foi ainda um dos maiores em termos do grupo na Europa. “Somos uma subsidiária com excelentes resultados, mas o ano passado foi muito bom, não apenas em Portugal, mas também em Espanha. Os resultados alcançados são excelentes face ao contexto económico em que estamos inseridos”. Os dois países fazem parte da região Southwest, uma das seis em que a Bridgestone Europa está dividida.

Para este ano a Bridgestone Portugal tem boas perspetivas e um “plano ambicioso que prevê um crescimento bastante desafiante face aos resultados alcançados em 2016”. A empresa espera crescer perto de dois dígitos nalgumas categorias de produtos, uma das quais os pesados de mercadorias. “Temos um plano muito ambicioso para 2017 e queremos crescer bastante em relação a 2016”. No mercado de vans a empresa também espera crescer, mas menos pois este mercado não tem crescido tanto. Ainda assim, “a marca Firestone é dominante nesse segmento e há muito potencial para crescer na marca Bridgestone”.

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